A presidente da Geórgia, Salome Zurabishvili, pediu nesta quarta-feira (31) em Bruxelas à União Europeia (UE) que conceda a seu país o status de candidato a membro do bloco como “proteção” contra a Rússia.
“A Rússia precisa entender que a Geórgia é a Europa e que a Europa está determinada a que a Geórgia seja a Europa. O que temos visto nos últimos meses na Geórgia é a Rússia tentando ganhar pontos para restabelecer sutilmente sua influência enquanto enfraquece a da Europa”, disse Zurabishvili em discurso no plenário do Parlamento Europeu.
A presidente da ex-república soviética reafirmou seu desejo de que seu país se junte à UE e à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) como parte da “futura arquitetura de segurança europeia”, alertando contra a possibilidade de deixar a Geórgia “em uma zona indefinida”.
“Pedimos proteção contra a Rússia. A Rússia, que até hoje continua ocupando e travando uma guerra híbrida contra o povo da Geórgia. A Rússia, que ouve todos e cada um dos sinais. É por isso que ninguém pode se dar ao luxo de enviar a mensagem errada e deixar a Geórgia em uma zona indefinida”, declarou.
“Não se pode permitir que isso aconteça, nem para a Geórgia nem para a Europa. Assim como a Europa está ajudando a Ucrânia a resistir à força bruta, ela tem que ajudar o povo georgiano diante dessa pressão mais sutil da Rússia, com a retomada dos voos para o país ou suas manobras para fomentar tensões internas”, acrescentou.
Zurabishvili argumentou que, em relação à guerra na Ucrânia, esse país “não está apenas defendendo seu território, mas está derramando sangue por todos nós, pela Europa, sua segurança e sua liberdade”, e disse acreditar que ucranianos e georgianos estarão na UE em um “futuro próximo”.
Em junho de 2022, os chefes de Estado e de Governo da UE concederam à Geórgia uma “perspectiva europeia” em seu processo de adesão ao bloco, mas não o status de candidata a membro, ao contrário do que foi conseguido por Ucrânia e Moldávia na época.
O governo da Geórgia afirmou em dezembro de 2022 que havia cumprido os 12 requisitos para o status de candidata à UE, incluindo a redução da polarização política e a desoligarquização do país, bem como o fortalecimento de suas instituições democráticas.
“Cada decisão terá seu tempo e lugar. Não deixarei pedra sobre pedra quando se tratar de garantir que a Geórgia esteja onde deve estar. Ver nosso país livre em uma Europa livre é a única garantia de independência”, concluiu Zurabishvili.
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