O governador da Flórida e pré-candidato à presidência
americana Ron DeSantis apresentou nesta segunda-feira (26) no Texas um plano
integral para a fronteira com o México com o objetivo de “travar a invasão” e
garantir a segurança “de uma vez por todas”.
O plano inclui a reativação de algumas medidas tomadas por
Donald Trump quando era presidente (2017-2021), como a construção do muro, algo
que não passou despercebido à campanha do ex-presidente, que acusou o
governador de plagiá-lo, mas também outras novas, como convencer o Panamá a
acabar com a passagem de imigrantes pela selva de Darién.
“Como presidente, declararei uma emergência nacional desde o
primeiro dia e não descansarei enquanto não construirmos o muro, fecharmos as
entradas ilegais e ganharmos a guerra contra os cartéis de droga. Não há
desculpas. Vamos fazer”, disse DeSantis, durante um comício de campanha em
Eagle Pass, Texas.
DeSantis, que é rival de Trump, ainda que esteja atrás por
larga margem nas pesquisas para as primárias republicanas, fez da luta contra a
imigração irregular o principal tema da sua campanha eleitoral.
Além de promover uma lei que entrará em vigor em 1º de julho e que é considerada a mais dura contra os imigrantes ilegais, o pré-candidato anunciou na semana passada a criação de uma coalizão de xerifes de todos os Estados Unidos para proteger a comunidade dos “estragos do colapso da fronteira” com o México.
Também promoveu um programa para enviar os solicitantes de
asilo e os imigrantes ilegais da fronteira mexicana para estados e cidades
controlados por democratas, e enviou forças da Flórida para ajudar o Texas a
controlar o seu território fronteiriço.
Críticas a Biden
No comício desta segunda-feira, em Eagle Pass, DeSantis
repetiu as suas críticas ao presidente dos EUA, Joe Biden, que buscará se
reeleger em 2024, pela forma como tem gerido a fronteira, mas não isentou o
próprio Partido Republicano de culpas.
“Durante décadas, os líderes de ambos os partidos fizeram
promessas vãs em matéria de segurança das fronteiras e agora é o momento de
agir para travar a invasão de uma vez por todas”, afirmou.
Entre as medidas anunciadas para garantir o “controle
operacional” da fronteira, estão a detenção de qualquer pessoa que atravesse “ilegalmente”
até a data da sua audiência e a obrigação de os requerentes de asilo
permanecerem no México até o seu pedido ser processado.
DeSantis prometeu também deportar as pessoas que
ultrapassarem o período de validade dos seus vistos e anunciou que vai aumentar
os salários dos agentes da Patrulha de Fronteira e ordenar uma ação de
recrutamento dirigida a ex-militares e policiais para postos nas alfândegas e
nas agências de fronteiras e de imigração.
“DeSantis tomará medidas para acabar com a ideia de que os filhos de imigrantes ilegais têm direito à cidadania se nascerem nos Estados Unidos”, apontou um comunicado do seu gabinete de campanha. Esta mesma ideia é uma promessa de campanha de Trump.
Plágio?
“DeSantis está a copiando a Agenda47 do presidente Trump
porque não tem uma ideia original própria”, denunciou a campanha do
ex-mandatário nesta segunda-feira.
Curiosamente, um porta-voz do Partido Democrata, Ammar
Moussa, disse a mesma coisa: “Este último plano é mais do mesmo, artifícios
políticos que são simplesmente um eco das mesmas políticas cruéis e insensíveis
da administração Trump que quebraram nosso sistema de imigração”.
Outros itens do plano de DeSantis incluem a taxação de
remessas de estrangeiros ilegais e o fortalecimento e aplicação do E-Verify, um
programa que exige que as empresas informem o status de imigração de seus
funcionários.
DeSantis também planeja proibir a liberdade condicional em
casos relacionados com a imigração, deportar estrangeiros criminosos, retirar
fundos e processar entidades que ajudem ou conspirem para violar as leis de
imigração dos EUA e buscar que o Congresso reforce as penas para o tráfico de
seres humanos, o contrabando e a reentrada ilegal repetida.
O governador se comprometeu a colaborar com as autoridades
panamenhas para fechar a zona de selva de Darién que liga o istmo à América do
Sul, a fim de evitar futuras caravanas de migrantes.
Na mesma linha, anunciou que estabelecerá prioridades com a CFD, uma agência estatal americana de ajuda ao desenvolvimento, para identificar “áreas de oportunidade” na América Central e América do Sul para que os imigrantes que retornam dos EUA se estabeleçam e mudem os padrões de migração.
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