O bispo nicaraguense Rolando Álvarez, condenado a mais de 26 anos de prisão por “traição contra a pátria”, foi libertado pelo regime de Daniel Ortega e está sob a proteção da Conferência Episcopal da Nicarágua, segundo informou nesta quarta-feira (5) uma fonte diplomática à EFE.
Álvarez, bispo da diocese de Matagalpa e administrador apostólico da diocese de Estelí, ambas cidades nicaraguenses, foi liberado do Sistema Penitenciário Nacional, a prisão de segurança máxima do país, que também é conhecida como “La Modelo”, onde estava detido desde o dia 9 de fevereiro após se recusar a ser deportado para os Estados Unidos. Neste momento, o bispo está sob a proteção do Episcopado.
Sua libertação, segundo a fonte, se deu graças a negociações entre a ditadura da Nicarágua, o Vaticano e o Episcopado local. Neste momento, os três envolvidos discutem o destino do líder eclesiástico.
Nas conversas se discute a possibilidade de que o bispo Álvarez seja enviado à Roma ou ao exílio, também ainda existe a possibilidade de que ele seja devolvido à prisão caso se recuse a aceitar uma das opções, destacou a fonte.
“Monsenhor
Rolando Álvarez não quer deixar a Nicarágua. Quer ser livre, sem condições, em
seu país”, escreveu em sua rede social o bispo hondurenho José Antonio
Canales, que vem acompanhando a situação de seu colega.
A decisão de libertar o bispo Álvarez da prisão ocorre uma semana depois que a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), com sede na Costa Rica, emitiu uma resolução ordenando que o regime da Nicarágua libertasse o religioso e adotasse “as medidas necessárias para proteger efetivamente sua vida, saúde e integridade pessoal”.
Em fevereiro
de 2023, o regime de Ortega libertou e expulsou 222 presos políticos do país,
que foram transferidos para Washington em um avião fretado pelo governo dos
Estados Unidos.
O bispo
Álvarez se recusou a deixar o país e, como consequência, foi condenado a mais
de 26 anos de prisão. Ele também teve sua cidadania cassada e foi transferido
da prisão domiciliar para o presídio.
Além disso,
Ortega declarou interrompidas as relações bilaterais com o Vaticano e descreveu
a Igreja Católica como uma “máfia”.
A Nicarágua vive uma crise política e social desde abril de 2018 que se agravou após as polêmicas eleições de novembro de 2021, nas quais Ortega foi reeleito para um quinto mandato, o quarto consecutivo, e o segundo junto com sua esposa, Rosario Murillo, que exerce o papel de “vice-presidente”, com seus principais adversários na prisão ou no exílio.
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