O projeto de lei que prevê um
pacote de reformas econômicas e sociais proposto pelo governo do presidente
libertário Javier Milei sofreu um duro revés na Câmara dos Deputados da
Argentina nesta terça-feira (6).
Após ser aprovado em termos gerais na sexta-feira (2), o texto voltou à comissão de origem depois de enfrentar resistências e algumas derrotas na votação em particular de vários artigos considerados chave pelo governo.
A chamada Lei Ómnibus, que contém as bases e pontos para a liberdade dos argentinos, segundo o slogan do governo Milei, aborda questões sobre a privatização de empresas públicas, redução de impostos e gastos, entre outras medidas. Ela já estava bastante desidratada, já que perdeu metade dos seus artigos iniciais, quando foi aprovada de forma geral na sexta.
O bloco governista, representado por deputados da coalizão A Liberdade Avança, não conseguiu, por exemplo, garantir o apoio suficiente de outros partidos e deputados para aprovar todos os incisos do artigo 5 da lei, que concede ao Executivo amplos poderes para modificar a estrutura e o funcionamento da administração pública. Diante da falta de consenso e da pressão da oposição, o líder do bloco, Oscar Zago, amigo de Milei, pediu para que o projeto retornasse à comissão de Assuntos Constitucionais onde deve continuar o diálogo. Diante desse cenário, a sessão de hoje foi interrompida.
Segundo informações do jornal argentino Clarín, Zago atribuiu essa decisão e o impasse à quebra de acordos por parte de alguns governadores provinciais, que teriam influenciado seus deputados a votar contra diversos artigos do projeto.
“Houve deputados que se comprometeram a acompanhar [a aprovação do projeto] por meio dos governadores e os governadores não cumpriram com sua palavra”, afirmou ele, negando também que a ação de hoje seja uma derrota para o governo.
O presidente Javier Milei, que está em visita oficial a Israel, manifestou seu descontentamento com o resultado da sessão parlamentar de hoje em uma mensagem publicada em seu perfil do X (antigo Twitter). “A casta contra o povo”, intitulou o mandatário, que acusou os setores políticos de se oporem à mudança que os argentinos votaram nas urnas.
“Sabemos que não vai ser fácil mudar um sistema onde os políticos se fizeram ricos à custa dos argentinos que se levantam todos os dias para trabalhar”, afirmou Milei, que prometeu seguir adiante com seu programa de governo “com ou sem o apoio da diligência política que destruiu nosso país”.
More Stories
No sexto dia de conflito, Israel lança onda de ataques contra Teerã
Apagão da internet no Irã já ultrapassa 120 horas
Turquia afirma que míssil do Irã foi destruído pelas defesas da Otan