O secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, reafirmou
nesta sexta-feira (23) que seu país não quer ver uma “reocupação” israelense da
Faixa de Gaza ou uma redução do seu território, depois de Israel ter se
proposto a controlar a segurança do enclave palestino.
Questionado a respeito em uma coletiva de imprensa em Buenos
Aires, na Argentina, onde se encontra em
visita oficial, o chefe da diplomacia americana confessou não ter visto os
detalhes do plano do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e disse
que prefere guardar sua opinião
No entanto, Blinken lembrou que a posição dos Estados Unidos há
meses é que Gaza deixe de ser “uma plataforma para o terrorismo”, mas insistiu
que não deveria haver nenhuma “reocupação” israelense do enclave nem o seu
território deveria ser reduzido.
“Queremos ter certeza de que qualquer plano seja consistente com
esses princípios”, destacou Blinken, que falou à imprensa ao lado da ministra
das Relações Exteriores da Argentina, Diana Mondino.
O chefe da diplomacia americana também elogiou a posição do
presidente da Argentina, Javier Milei, pela sua firme condenação ao ataque do grupo
terrorista Hamas perpetrado contra Israel em 7 de outubro.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, revelou pela
primeira vez, e após quatro meses e meio de guerra na Faixa de Gaza, seu
plano para “o dia seguinte” ao conflito, no qual descreve um enclave
desmilitarizado, cuja segurança depende de Israel e onde não existe a Agência
das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA).
Em um documento apresentado quinta-feira (22) à noite ao
gabinete de guerra para aprovação, e publicado nesta sexta-feira pelo gabinete
do primeiro-ministro, Netanyahu recordou os objetivos a curto prazo: destruir
as capacidades militares e a infraestrutura governamental tanto do Hamas como
da Jihad Islâmica, o outro grupo terrorista palestino que atua no enclave,
libertar os reféns e evitar que Gaza volte a ser uma ameaça.
A médio prazo, o premiê projetou uma Faixa onde Israel manterá a
liberdade de operações militares “sem limite de tempo”, com um perímetro de
segurança na divisa e controle israelense da fronteira entre Gaza e Egito para
evitar o reaparecimento de “elementos terroristas”.
“A ‘Cerca Sul’ funcionará, na medida do possível, em cooperação
com o Egito e com a assistência dos Estados Unidos, e se baseará em medidas
para prevenir o contrabando do Egito, tanto subterrâneo como aéreo, incluindo a
passagem de Rafah”, detalha o documento.
Além disso, Israel afirma que manterá o controle de segurança
sobre a Cisjordânia e Gaza, sendo que no enclave “haverá uma desmilitarização
completa”, para além do que é necessário para manter a ordem pública.
No longo prazo, Netanyahu insistiu na rejeição de um Estado palestino ou de “ditames internacionais sobre um acordo permanente” e previu o fim da UNRWA, “cujos agentes estiveram envolvidos no massacre de 7 de outubro”, afirma o texto. (Com Agência EFE)
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