O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que chegou nesta quarta-feira (28) a Georgetown, capital da Guiana, e depois segue para São Vicente e Granadinas, deve se encontrar com chefes de Estado de dois países que protagonizam uma disputa entre si e vivem momentos radicalmente opostos nas suas economias.
Na Guiana, após participar da Cúpula de Chefes de Governo da
Comunidade do Caribe (Caricom), o petista vai se reunir nesta quinta-feira (29)
com o presidente guianense, Irfaan Ali.
Na sexta-feira (1º), Lula estará em São Vicente e Granadinas
para a cúpula da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac),
e no pequeno país deve se encontrar com o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro.
Venezuela e Guiana protagonizam uma disputa pela região do
Essequibo, localizada a oeste do rio de mesmo nome e que corresponde a 70% do
território guianense.
Caracas alega ter soberania sobre a área, numa disputa que
vem desde o século 19, mas que ganhou temperatura no final do ano passado,
quando, num contestado referendo, a população venezuelana aprovou que a
ditadura chavista tomasse medidas para anexar a área.
Desde então, movimentações militares nos dois lados aumentaram
a tensão e dois encontros para discutir a questão, que tiveram o Brasil como um
dos mediadores, foram realizados em São Vicente e Granadinas, em dezembro, e em
Brasília, em janeiro.
Um processo sobre a questão tramita na Corte Internacional
de Justiça (CIJ) desde 2018, mas a Venezuela nega a competência do tribunal
para arbitrar a questão.
A disputa deve ser tema das conversas de Lula com Ali e Maduro, cuja cobiça pelo Essequibo aumentou depois que a empresa americana ExxonMobil localizou grandes reservas de petróleo na região em 2015.
A competência de Georgetown para explorar essa riqueza contrasta com a incapacidade da Venezuela, que possui as maiores reservas do produto no mundo.
Segundo números do Fundo Monetário Internacional (FMI), o
Produto Interno Bruto (PIB) da Guiana quase quadriplicou nos últimos dez anos,
ao passar de US$ 4,17 bilhões em 2013 para US$ 16,33 bilhões no ano passado.
O país tem apresentado as maiores taxas de crescimento do
mundo e este ano a economia guianense deve crescer 26,6%, segundo projeção do
FMI, após alta de 62,3% em 2022 e de 38,4% em 2023.
Por outro lado, com sua infraestrutura petrolífera sucateada, um dos muitos desastres do chavismo, a economia da Venezuela encolheu mais de 60% entre 2013 e o ano passado (veja gráfico).
Houve algum alívio em 2023, quando os Estados Unidos
suspenderam parcialmente as sanções impostas ao setor de petróleo e gás
venezuelano em razão de um acordo de Maduro com a oposição para eleições limpas
este ano, o que permitiu a volta de empresas internacionais para aumentar a
produção dessas commodities.
Porém, como o ditador venezuelano vem reiteradamente desrespeitando o compromisso, os americanos voltaram a impor no final de janeiro sanções ao setor do ouro e sinalizaram que devem deixar as licenças de petróleo e gás da Venezuela expirarem em 18 de abril.
A inflação é outro termômetro da diferença de momento entre
Guiana e Venezuela. Enquanto o primeiro país teve uma variação média de preços
de 3,8% em 2023, os venezuelanos “comemoraram” ter perdido o posto de maior
inflação da América Latina, agora ocupado pela Argentina.
A variação de preços argentina foi de 211,4% no ano passado, enquanto a da Venezuela foi de “apenas” 193%. A comemoração ocorreu porque o país já teve uma inflação (em 2018) de 1 milhão por cento – o que dá uma ideia da devastação provocada por 25 anos de chavismo.
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