Outrora visto como o principal caminho que liga o Ocidente e a China, Hong Kong tem observado sua reputação como centro financeiro internacional despencar, conforme Pequim aumenta a vigilância e a repressão no território semiautônomo.
Para muitos investidores, se torna cada vez mais nítido o acoplamento da ex-colônia britânica ao regime autoritário de Xi Jinping, motivo pelo qual grandes empresas têm deixado em massa a cidade.
Dados do Departamento de Censo e Estatística da região administrativa evidenciam que, desde 2019, o número de empresas estrangeiras com sede regional em Hong Kong caiu 8,4%. Os números caem ainda mais entre as empresas americanas, um terço das quais saiu de Hong Kong na última década, segundo mostrou recentemente o jornal Wall Street Journal. Algumas multinacionais que permaneceram sediadas na cidade optaram por reduzir o quadro de funcionários em quase um terço nos últimos quatro anos.
Essa queda drástica de interesse dos investidores na região é um dos principais efeitos da maior repressão ditatorial da China no território, com a lei de segurança nacional, imposta em 2020 pela ditadura de Xi, que prevê uma vigilância cada vez mais forte na região, a fim de evitar dissidências.
De acordo com o jornal alemão DW, os legisladores de Hong Kong deverão em breve aprovar uma nova legislação que, segundo grupos de direitos humanos, irá praticamente acabar com qualquer oposição à Pequim.
Essa reação chinesa já foi vista durante os protestos democráticos que duraram um ano na região. As ações resultaram na prisão de centenas de ativistas e no fechamento de meios de comunicação independentes, à época. Essa nova legislação promete tornar ainda mais fácil localizar indivíduos, empresas e grupos considerados uma ameaça ao ditador Xi e seu regime.
Segundo o Departamento de Estado dos EUA, a nova lei de segurança adotará definições “amplas e vagas” de segredos de Estado e interferência externa que poderiam ser usadas para silenciar os críticos. Ou seja, os empresários sediados em Hong Kong serão ainda mais vigiados pela ditadura asiática.
Em entrevista ao portal Bloomberg, o cônsul geral dos EUA em Hong Kong, Gregory May, alertou recentemente que algumas empresas americanas utilizam telefones e computadores portáteis quando visitam a cidade por desconfiança com a segurança de dados.
Hong Kong, antes considerado o centro financeiro do mundo, caiu para o segundo lugar no Índice de Liberdade Econômica, perdendo a posição no topo que assegurava desde a criação do ranking. para Singapura, que agora recebe cerca de 4.200 multinacionais com sedes regionais lá, enquanto o território controlado por Pequim ficou com 1.336, de acordo com a Bloomberg Intelligence.
O índice da Bolsa de Valores de Hong Kong, o principal indicador de desempenho do mercado de ações, atualmente é negociado cerca de 50% abaixo do seu máximo histórico de 2018 e apenas cem pontos acima do que já conquistou em 1997, quando o território foi devolvido à China pelo Reino Unido.
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