A Assembleia Nacional (AN) da Venezuela aprovou nesta
terça-feira (19), em segunda discussão, os artigos finais da Lei Orgânica de
Defesa da Guiana Essequiba, como Caracas chama a região do Essequibo, disputada
com a Guiana.
Um dos artigos prevê que quem apoiar a posição de Georgetown
nessa questão não poderá concorrer a cargos públicos na Venezuela.
“Não poderão concorrer a cargos eletivos ou exercer cargos públicos
as pessoas que, violando o dever previsto no artigo 130 da Constituição da
República Bolivariana da Venezuela e nesta Lei, favoreçam publicamente a
posição da República Cooperativa da Guiana sobre a Guiana Essequiba ou desonrem
os símbolos patrióticos da Nação”, aponta o artigo.
Segundo informações do site Efecto Cocuyo, o presidente da AN,
o chavista Jorge Rodríguez, chamou de “traidores” quem não concorda com a anexação
do Essequibo.
“Espero que os traidores do país, que foram contra o
referendo, estejam escutando bem, não vão começar a dizer que há perseguição
política. Na legislação de qualquer país, há proteção contra os traidores”,
afirmou Rodríguez durante a sessão desta terça-feira.
A Venezuela reivindica soberania sobre a região do
Essequibo, que corresponde a 70% do território da Guiana, desde o século 19, quando
o país vizinho ainda era colônia britânica. Uma decisão internacional do final
daquele século determinou que a área é guianense.
Um acordo assinado em 1966, às vésperas da independência da
Guiana, determinou que a disputa deveria
ser definida por uma corte internacional dentro de quatro anos, mas isso nunca
ocorreu. A ditadura de Nicolás Maduro voltou a se interessar pelo assunto em 2015,
quando grandes reservas de petróleo foram encontradas no Essequibo.
Atualmente, um processo sobre a disputa tramita na Corte Internacional de Justiça (CIJ). Entretanto, num referendo realizado em dezembro, a população da Venezuela aprovou que o país não reconheça a competência desse tribunal para resolver a questão e que a ditadura chavista tome medidas para anexar o Essequibo.
Duas reuniões entre representantes dos dois países foram realizadas desde então, mas a disputa permanece.
Os demais artigos aprovados nesta terça-feira pelo
Legislativo venezuelano dispõem sobre o estabelecimento dos limites da Guiana
Essequiba; que todas as repartições públicas tenham mapas da Venezuela já com a
região anexada; eleições para governador e legislativo na área; entre outros
itens.
A lei deve ser sancionada na AN na quinta-feira (21), antes de ser apresentada ao Judiciário e ao Executivo para promulgação.
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