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OPINIÃO: O Brasil de Dorival Júnior foi um desastre contra a Argentina

Aos sete minutos de Argentina x Brasil, o torcedor argentino (que tem uma cultura tática acentuada) já havia identificado a enorme superioridade coletiva de sua equipe e gritava “olé” nas arquibancadas do Monumental de Nuñez. Era o sinal para um dos maiores bailes da história do clássico mais importante do futebol de seleções.

Os cinco meio-campistas da “Scaloneta” brincavam de trocar passes diante de um time brasileiro que, quando era atacado, se dividia em dois. Os quatro atacantes de amarelo não conseguiam impedir que os argentinos progredissem ao campo de ataque e, entre eles e os seis homens de defesa (incluindo os volantes André e Joelinton), havia um latifúndio que a seleção campeã do mundo explorava com tranquilidade. E assim foi acumulando gols desde os primeiros minutos.

O trabalho de Lionel Scaloni começou em 2018, logo após o fracasso de Jorge Sampaoli na Copa do Mundo disputada na Rússia. Desde então, ele construiu uma equipe, no melhor sentido da palavra. Os títulos de Copa América (2) e da Copa do Mundo de 2022, no Qatar, sedimentaram os sentimentos de união, segurança e pertencimento ao grupo. São jogadores que se conhecem, estão na história e sabem como cada companheiro gosta de jogar.

Dorival Júnior chegou há pouco mais de um ano. Não teve tempo nem capacidade de construir seu time. E, também por isso, devia ter encarado essa partida de forma diferente. Enfrentar esta Argentina na casa dela, mesmo sem Messi, exigia uma estratégia inteligente. Uma leitura das qualidades do adversário. Era preciso adaptar a seleção brasileira à realidade que o duelo pedia.

Ao contrário, Dorival montou um time ultra-ofensivo, com quatro atacantes e um lateral agudo. Era nítido que este time teria dificuldade para fazer frente a uma seleção extremamente técnica e confiante.

O Brasil tem sido um time que não consegue controlar o jogo a partir da posse, algo fundamental no futebol atual. Mas deveria saber se defender e contra-atacar, usando o talento dos seus homens de frente para “atacar os espaços”. Era a única possibilidade de competir neste cenário. Não seria vergonha fazer duas linhas de quatro ou um 4-5-1. O importante era impedir que eles trocassem passes livremente.

Mas, mesmo diante do desastre que acontecia à sua frente, o técnico brasileiro permaneceu com as mãos na cintura e não mexeu no time até o intervalo, quando o time já perdia por 3 a 1. Pior que isso: quando substituiu, não mudou o sistema de jogo. Preferiu expor os jogadores substituídos como se fossem eles os culpados. Os argentinos fizeram apenas mais um gol no segundo tempo porque se desligaram do jogo. Todos precisam voltar inteiros a seus clubes para a reta final da temporada europeia.

A vergonha desta terça-feira 25 de março de 2025 não é só de Dorival. É do futebol brasileiro. Que não forma novos treinadores. Que não desenvolve jogadores de qualidade para todas as posições. Que não tem um projeto para sua seleção. Que reelege seu presidente por unanimidade, apesar de sua péssima gestão.

Eu cresci ouvindo que nosso futebol era bom dentro das quatro linhas e ruim fora delas. O tempo passou e a politicagem e a falta de capacidade dos cartolas contagiaram o campo de jogo. E não há luz no fim do túnel. Pelo menos pelos próximos anos.

FONTE: ESPN