A crise entre o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o governo federal ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (26), após a repercussão da notícia publicada pelo portal O Globo sobre a intenção do parlamentar de ligar para o presidente Lula em busca de uma saída institucional para o impasse.
O gesto ocorre após Hugo Motta liderar a votação relâmpago que derrubou o decreto do Executivo que aumentava o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A medida, que afeta diretamente a arrecadação federal — com impacto estimado em R$ 10 bilhões —, foi considerada a maior derrota do governo Lula no Congresso em 2025.
Segundo O Globo, a decisão de Motta pegou o Palácio do Planalto de surpresa, especialmente pela forma: o anúncio foi feito em uma rede social às 23h35 da noite anterior, sem aviso prévio e sem espaço para reação do governo. Ministros como Fernando Haddad (Fazenda) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) tentaram contato com o parlamentar, mas não foram atendidos.
Apesar do endurecimento, aliados de Motta disseram ao jornal que o deputado não tem interesse em romper com o governo e que pretende fazer um gesto direto ao presidente Lula, por telefone, para tentar amenizar o desgaste. A articulação é vista como tentativa de distensionar a relação entre os poderes em um momento de instabilidade e cobranças dentro da base governista.
O presidente Lula já foi informado sobre a intenção do parlamentar, mas até o momento não há confirmação de quando a ligação acontecerá. A expectativa é de que o gesto possa abrir caminho para retomada do diálogo e redefinição das prioridades na relação entre Planalto e Congresso.
Enquanto isso, Lula cumpre agenda em São Paulo, onde deve anunciar novos investimentos em habitação popular. A repercussão do episódio, no entanto, segue no centro das discussões políticas da capital federal.
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