A Carta da Cúpula dos Brics condena ataques contra o Irã e a Palestina e defende uma reforma em organismos internacionais por mais espaço para países do Sul global. O documento com o título “Declaração do Rio de Janeiro – Fortalecendo a Cooperação do Sul Global para uma Governança mais Inclusiva e Sustentável” foi divulgado neste domingo (6). São 38 páginas com conteúdo que foi debatido em 200 reuniões.
Os líderes condenaram os ataques contra o Irã, mas não citam os Estados Unidos nem Israel. Eles também apontam preocupação com ataques contra infraestruturas civis e instalações nucleares pacíficas, ações que violam o direito internacional e resoluções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O grupo pediu que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) avalie esta questão.
Israel apareceu no item sobre a Palestina. O grupo condenou as violações ao direito humanitário, inclusive, o uso da fome como método de guerra. Os líderes do Brics reforçaram o pedido de cessar-fogo imediato, retirada das tropas israelenses da Faixa de Gaza, a libertação de todos os reféns e a entrada de ajuda humanitária. O grupo também defendeu a criação do estado Palestino.
Em relação à guerra da Ucrânia, o documento defende diálogo e diplomacia, posições marcadas em momentos anteriores. A Carta não menciona a Rússia no parágrafo dedicado ao tema.
O grupo quer a reforma do Conselho de Segurança da ONU. Segundo o texto, o objetivo é torná-lo mais democrático, representativo, eficaz e eficiente, com o aumento da participação dos países em desenvolvimento no Conselho. China e Rússia, que são membros permanentes do Conselho, com poder de veto, apoiam a entrada de Brasil e Índia no colegiado.
Os líderes também querem mudanças em organismos como o FMI e o Banco Mundial para aumentar a presença dos países em desenvolvimento.
Umas das prioridades da presidência brasileira do Brics, a inteligência artificial é vista como uma oportunidade de desenvolvimento para um futuro mais próspero. A Carta defende uma governança global inclusiva que atenda a todos os países e reduza potenciais riscos da tecnologia.
Os líderes ainda se colocam a favor do pagamento de direitos autorais no ambiente digital, inclusive no treinamento de inteligência artificial. Eles reconhecem risco de apropriação indevida e deturpação do conteúdo.
More Stories
No sexto dia de conflito, Israel lança onda de ataques contra Teerã
Apagão da internet no Irã já ultrapassa 120 horas
Turquia afirma que míssil do Irã foi destruído pelas defesas da Otan