O presidente Lula afirmou esperar que o acordo entre Mercosul e União Europeia seja assinado no início de janeiro de 2026.
Lula discursou neste sábado (20) na Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, em Foz do Iguaçu, no Paraná.
A formalização da parceria entre os blocos estava prevista para acontecer durante o encontro, mas foi adiada para janeiro após a resistência da França e da Itália.
“Tudo estava certo. Todos nós sabíamos a posição da França, histórica. Na última semana surgiu um problema com a primeira-ministra Meloni, da Itália. Não um problema com o acordo firmado entre Mercosul e União Europeia, mas de um acordo firmado entre a própria União Europeia, porque a Meloni dizia que a distribuição de verba para a agricultura na União Europeia estava prejudicando a Itália. E ela, então, estava com problema com os produtores agrícolas, que ela não poderia assinar nesse momento o acordo”.
Lula disse que a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, garantiu a assinatura do acordo e que não há possibilidade de a França, sozinha, barrar a parceria.
“Eu tive uma conversa por telefone com ela. Ela disse textualmente que no começo de janeiro ela está pronta para assinar. Se ela estiver pronta para assinar e faltar só a França, segundo a Ursula von der Leyen e o Antonio Costa, não haverá possibilidade de a França sozinha não permitir o acordo. O acordo será firmado e eu espero que seja assinado, quem sabe, no primeiro mês da presidência do Paraguai, pelo companheiro Santiago Peña”.
Um acordo entre Mercosul e União Europeia vai reunir mais de 720 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto de 22 trilhões de dólares.
O presidente também criticou os Estados Unidos e afirmou que uma intervenção armada na Venezuela seria uma catástrofe.
“Passadas mais de quatro décadas desde a Guerra das Malvinas, o continente sul-americano volta a ser assombrado pela presença militar de uma potência extrarregional. Os limites do direito internacional estão sendo testados. Uma intervenção armada na Venezuela seria uma catástrofe humanitária para o hemisfério e um precedente perigoso para o mundo”.
Ainda no discurso durante a Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, Lula alfinetou a concessionária Enel, que deixou mais de dois milhões de clientes sem energia em São Paulo.
“Não haverá corte da palavra aqui, ou seja, o que não pode é faltar energia, ô Enel. Ontem faltou energia no meu discurso, espero que não falte energia no seu discurso hoje”.
Nesta semana, a Aneel, Agência Nacional de Energia Elétrica, informou que iniciou o processo que pode levar à caducidade do contrato com a Enel, ou seja, o rompimento da concessão.
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