10 de fev de 2026 às 12:41
Bispos dos EUA condenaram a publicação do presidente Donald Trump nas redes sociais que mostrava os rostos do ex-presidente Barack Obama e da ex-primeira-dama Michelle Obama sobrepostos a macacos de desenho animado.
Desde então, Trump apagou a publicação da rede Truth Social, de 5 de fevereiro, disse que não tinha a intenção de postar uma representação dos Obamas como macacos e condenou a parte racista do vídeo. Ele se recusou a pedir desculpas por tê-lo publicado.
Na noite de 5 de fevereiro, por volta das 23h45, Trump publicou um vídeo com um minuto e dois segundos de duração.
A maior parte do vídeo reafirmou alegações de fraude eleitoral nas eleições de 2020. Aos 59 segundos, o casal Obama é retratado como macacos.
Respondendo a repórteres sobre o assunto, Trump disse: “Eu só vi a primeira parte” sobre fraude eleitoral e “não vi o vídeo todo”. Respondendo sobre se condenava a parte racista do vídeo disse: “Claro que sim”.
“Acho que no final, passou alguma foto que as pessoas não gostaram”, disse ele. “Eu também não gostaria, mas não a vi”.
Respondendo sobre o assunto, Trump se recusou a pedir desculpas pela publicação, dizendo: “Não; eu não cometi nenhum erro”. Ele disse que analisa “milhares de coisas” e que “só olhou o começo, estava tudo bem”.
Os Obamas não se pronunciaram publicamente sobre o vídeo.
Reação de católicos
Numa declaração da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA (USCCB, na sigla em inglês) sobre o assunto, o bispo de Austin, Texas, Daniel Garcia, presidente da subcomissão para a Promoção da Justiça Racial e Reconciliação da USCCB, disse estar “feliz em ver que a publicação ofensiva foi removida” e republicou parte da carta pastoral da USCCB de 2018 contra o racismo.
“Todo ato racista — cada comentário desse tipo, cada piada, cada olhar depreciativo como reação à cor da pele, etnia ou local de origem — é uma falha em reconhecer outra pessoa como irmão ou irmã, criada à imagem de Deus”, diz a declaração de 2018.
Receba as principais de ACI Digital por WhatsApp e Telegram
Está cada vez mais difícil ver notícias católicas nas redes sociais. Inscreva-se hoje mesmo em nossos canais gratuitos:
O arcebispo de Chicago, cardeal Blase Cupich, exigiu ontem (9) que Trump se desculpe imediatamente, independentemente de ter sido intencional ou não, dizendo que a publicação demonstrava que “esse racismo flagrante não é só uma prática do passado”.
“Ele deve se desculpar de qualquer jeito”, disse ele. “Nosso choque é real. Assim como nossa indignação. Nada menos que um pedido de desculpas inequívoco — à nação e às pessoas humilhadas — é aceitável. E deve ser feito imediatamente”.
Cupich disse que o clichê de “retratar seres humanos como animais — menos que humanos — não é novo” e que era comumente usado para “desmerecer grupos de imigrantes”. Ele disse que isso “imunizou a consciência nacional quando rejeitamos navios lotados de refugiados, linchamos milhares e condenamos gerações à pobreza”.
“Se o presidente aprovou intencionalmente a mensagem contendo imagens extremamente racistas, ele deveria admitir”, disse Cupich. “Se ele não sabia disso originalmente, deveria explicar por que permitiu que sua equipe descrevesse a indignação pública em relação à sua transmissão como falsa”.
O arcebispo de Detroit, Edward Weisenburger, declarou que a imagem é “um meme racista”. Segundo ele, é “perturbador” que Trump ou algum membro de sua equipe vejam memes racistas “como expressões humorísticas ou apropriadas do discurso político”.
“São profundamente ofensivas e devem ser condenadas nos termos mais fortes”, disse ele. “Uno minha voz às muitas que pedem um pedido público de desculpas com total aceitação de responsabilidade, e também me indigno com as alegações da Casa Branca de que a raiva que muitos de nós sentimos é falsa”.
“Além do necessário pedido de desculpas, acredito também que todos devemos examinar nossa consciência, individual e coletivamente”, disse ele. “Precisamos reconhecer e admitir o quão prevalente o racismo continua sendo em nossa sociedade e nos comprometer com a vigilância para combater seus danos”.
A freira Josephine Garrett, das irmãs da Sagrada Família de Nazaré, publicou na rede social Instagram que a representação é “um clichê racista antigo”.
“Que época para se estar vivo”, disse a freira.
Garrett, que é negra, disse que não é democrata nem republicana e publicou uma foto de Barack e Michelle Obama, dizendo: “Já que esses rostos serão degradados nas redes sociais hoje, estou adicionando algo à linha do tempo que honre a dignidade desse casal e de sua família — e também, é o Mês da História Negra”.
A Ordem Antiga dos Hibernianos, organização fraternal católica irlandesa-americana, também emitiu uma declaração contra a publicação de Trump nas redes sociais, dizendo: “Reconhecemos essa tática porque ela foi usada contra nós, irlandeses-americanos”.
Assine aqui a nossa newsletter diária
“A alegação de que esse vídeo era meramente um meme da internet ou que os críticos estavam se indignando de modo fingido é moralmente falha e historicamente ignorante”, diz o comunicado. “Não há nada de engraçado em reduzir qualquer pessoa a macacos. Essa imagem tem sido usada por séculos como ferramenta de opressão, criada para desumanizar e justificar a subjugação. Não é humor; é intolerância”.

More Stories
Bispo de Jundiaí sedia encontro dos grupos católicos LGBT+ de São Paulo em sua casa
Mulheres consagradas em Roma encontram cura com santa Hildegarda
Asiáticos iniciam preparativos espirituais e logísticos para a JMJ Seul 2027