10 de fev de 2026 às 13:56
“A sociedade ainda nos respeita e espera de nós uma palavra consistente, psicológica, filosófica e eticamente fundamentada”, disse o arcebispo de Porto Alegre, cardeal Jaime Spengler, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) ontem (9), na abertura da reunião da Comissão Especial de Bioética da CNBB, na sede da Conferência em Brasília (DF).
“Isso nos traz uma grande responsabilidade”, enfatizou o presidente da CNBB. “Compreender a casa do humano hoje se tornou um grande desafio para toda a sociedade” porque “vivemos uma crise antropológica profunda, com valores que sustentaram nossa cultura entrando em crise”.
Comissão Especial de Bioética
Segundo a CNBB, “a Comissão Especial de Bioética tem a missão de assessorar a presidência da CNBB e os bispos do Brasil diante de questões éticas relacionadas à defesa e promoção da vida humana”. Ela é “presidida pelo bispo auxiliar de Curitiba, dom Reginei Modolo, e é composta por professores de universidades católicas, integrantes da Associação Brasileira de Médicos Católicos, do Conselho Nacional de Saúde, da Associação dos Juristas Católicos, entre outros especialistas”.
“Nosso serviço é ajudar a Igreja a anunciar, de modo concreto, a beleza do Evangelho da vida, especialmente onde ela está mais ameaçada”, disse o presidente da Comissão Especial de Bioética, dom Reginei Modolo.
Durante a reunião, a Comissão avaliou as ações desenvolvidas em 2025, planejou as atividades para o próximo biênio e debateu sobre a produção de novos subsídios formativos, materiais em vídeo sobre temas emergentes e a possibilidade de elaboração de um novo documento de bioética a ser submetido ao Conselho Permanente da CNBB.
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“Outro ponto em estudo é a elaboração de um novo documento de bioética, que possa atualizar e orientar a atuação da Igreja no Brasil frente aos desafios contemporâneos”, disse a Conferência destacando que a Comissão Especial de Bioética também pretende “acompanhar as propostas legislativas que possam fragilizar a proteção da vida”, ter uma “maior articulação com a Pastoral Familiar e outros organismos da Igreja, ampliando a capilaridade das orientações bioéticas nas dioceses” e continuar “oferecendo pareceres técnicos solicitados pela presidência da CNBB e por bispos diante de situações específicas”.
“A nossa missão principal é concretizar aquilo que o documento do Dicastério para a Doutrina da Fé recorda: a vida é sempre um bem”, ressaltou dom Reginei Modolo. “Não importa idade, condição social, origem ou situação de vulnerabilidade, a vida é sempre um bem e precisa ser cuidada e defendida”.
Para o bispo, o trabalho da Comissão Especial de Bioética deve abranger a conscientização e a formação sobre os posicionamentos públicos quando a dignidade humana está ameaçada.
“Percebemos o risco de algumas vidas serem consideradas menos importantes ou descartáveis”, disse dom Modolo. “Queremos atuar justamente para que isso não aconteça, promovendo uma visão positiva e integral da vida”.

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