Vereadores da bancada de oposição na Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP) começaram ontem terça-feira (10) a recolher assinaturas para instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com o objetivo de investigar a possível participação de facções criminosas nas eleições municipais de 2024, na capital paraibana.
A iniciativa reacende um dos episódios mais polêmicos do último pleito, quando denúncias sobre a influência do tráfico de drogas e do crime organizado no processo eleitoral tiveram repercussão nacional e motivaram investigações do Ministério Público, da Polícia Federal e da Justiça Eleitoral.
Segundo um parlamentar da oposição, novas denúncias chegaram à Câmara e motivaram a abertura da CPI, que pretende apurar se houve cooptação de eleitores, financiamento ilícito de campanhas ou interferência de grupos criminosos em processos eleitorais. Para que a comissão seja instalada, é necessário atingir o número mínimo de assinaturas previsto no Regimento Interno da Casa.
Entre os primeiros convocados a depor deve estar o vereador Ícaro Chaves (Podemos), que à época do escândalo era filiado ao mesmo partido do deputado federal Ruy Carneiro, pré-candidato a prefeito em 2024 e responsável por tornar públicas as primeiras denúncias sobre o possível envolvimento de facções criminosas nas eleições de João Pessoa. Ruy Carneiro chegou a solicitar apuração rigorosa e acionou órgãos competentes para investigar os indícios de interferência criminosa.
Durante o período eleitoral, a primeira-dama de João Pessoa, Lauremília Lucena, chegou a ser presa preventivamente em uma operação que investigava suposto favorecimento à campanha de reeleição do prefeito Cícero Lucena (MDB). Na época, a defesa negou irregularidades e afirmou que as acusações não se confirmariam ao longo do processo.
A criação da CPI promete trazer novamente à pauta do legislativo local a discussão sobre a segurança do processo eleitoral e a atuação de grupos criminosos em campanhas políticas na capital paraibana.
Redação
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