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Conferência episcopal dos EUA elogia Trump em política de gênero, mas critica deportações .

A Conferência dos Bispos Católicos dos EUA (USCCB, na sigla em inglês) divulgou esta semana seu relatório anual sobre liberdade religiosa e disse que o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, fortaleceu a liberdade religiosa em alguns aspectos e a enfraqueceu em outros.

O relatório Estado da Liberdade Religiosa nos EUA, do Comitê para a Liberdade Religiosa da USCCB, divulgado na última terça-feira (17), listou as “medidas do governo para combater a ideologia de gênero” como uma das mudanças positivas. O relatório criticou políticas de deportação em massa do governo.

O relatório deste ano da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA também alertou para ameaças à liberdade religiosa, citando incidentes alarmantes de violência contra instituições católicas — como um atirador abrindo fogo numa missa numa escola em Minneapolis, Minnesota, em agosto do ano passado, e um homem armado com explosivos do lado de fora da catedral de São Mateus Apóstolo, em Washington D.C, capital dos EUA, em outubro do ano passado.

“Todos esses acontecimentos estão ocorrendo enquanto os americanos se preparam para celebrar 250 anos como nação independente”, escreveu o arcebispo de Portland, Oregon, Alexander Sample, presidente do comitê, no prefácio do relatório.

“Este é um momento oportuno para refletirmos sobre os ideais expressos na Declaração da Independência e como esses ideais moldaram a cultura singular que se desenvolveu ao longo dos últimos dois séculos e meio”, disse ele. “Para os católicos, é uma oportunidade de refletir sobre como a Igreja enriqueceu a vida americana”.

Identidade de gênero

O comitê disse que uma de suas maiores preocupações no relatório do ano passado era a “ideologia de gênero”, mas essas preocupações diminuíram devido às ações executivas tomadas no governo Trump.

“As políticas sobre identidade de gênero afetam a liberdade religiosa quando indivíduos e organizações religiosas são forçados a defender seu reconhecimento da diferença sexual”, disse o documento.

O relatório disse que Trump revogou decretos do ex-presidente Joe Biden, uma das quais havia interpretado a discriminação por “sexo” como incluindo a discriminação com base na “identidade de gênero” autodeclarada, o que afetava contratos federais e políticas educacionais sobre gênero.

Trump seguiu na direção oposta, disse o documento, reforçando as distinções baseadas no sexo com base na “realidade biológica do sexo” em vez da “identidade de gênero”. Ele “tomou medidas para proteger os esportes femininos” separando os esportes masculinos e femininos com base em diferenças biológicas, disse o relatório.

O documento elogiou o governo por investigar um departamento de saúde estadual por supostamente “discriminar organizações religiosas na administração e/ou aplicação de requisitos de licenciamento, inclusive a exigência de qualquer facilitação de procedimentos de rejeição sexual”.

A USCCB também expressou otimismo em relação ao trabalho da Força-Tarefa de Combate ao Preconceito Anticristão do presidente, da Comissão de Liberdade Religiosa e do Gabinete de Fé da Casa Branca.

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Duas decisões da Suprema Corte dos EUA foram citadas como desenvolvimentos positivos para a liberdade religiosa.

No caso Mahmoud x Taylor, a Suprema Corte ordenou que um distrito escolar de Maryland permitisse aos pais optar por não colocar seus filhos em cursos que promoviam ideologia de gênero, disse o relatório. No caso Catholic Charities Bureau, Inc. x Wisconsin Labor & Industry Commission, o tribunal exigiu que o Estado reconhecesse uma organização beneficente católica como entidade religiosa.

O comitê disse que a inclusão do Crédito Tributário Federal para Bolsas de Estudo na proposta de reconciliação orçamentária do ano passado oferece mais opções para os pais, mas que também precisa ser revisado para dar mais proteções à liberdade religiosa, a fim de garantir que os Estados não discriminem as escolas religiosas.

Áreas de preocupação

As principais preocupações em matéria de liberdade religiosa expressas pela USCCB estavam relacionadas à política de imigração.

O relatório disse que o Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS, na sigla em inglês) revogou as diretrizes que antes limitavam a aplicação das leis de imigração em “locais sensíveis”, inclusive. Embora o relatório diga que não houve operações de fiscalização conhecidas dentro de igrejas católicas, ocorreram algumas prisões em dependências religiosas, o que causou medo em alguns fiéis.

“Relatos informais sugerem uma queda na frequência às missas em algumas dioceses e comunidades paroquiais devido ao medo dos fiéis em relação à fiscalização [de imigração], tanto nas dependências da igreja quanto no trajeto de ida e volta”, disse o relatório.

Alguns bispos concederam dispensas da missa a pessoas que temem ser deportadas.

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O comitê expressou preocupação com os detidos e sua capacidade de ter acesso aos sacramentos. Citou especificamente o centro de detenção de imigrantes de Broadview, Illinois, onde o clero não conseguiu permissão para entrar por meses. Uma ordem judicial obrigou o Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS) a permitir a entrada deles na Quarta-feira de Cinzas e a acomodá-los em datas posteriores.

O relatório disse que “embora as nações tenham a responsabilidade de regular suas fronteiras e estabelecer um sistema de migração justo, também deve haver um acordo básico” sobre a proteção da dignidade dos migrantes e seu acesso aos sacramentos.

Outras preocupações citadas pelo comitê eram alguns Estados que ameaçavam o sigilo da confissão, tentando forçar padres a relatar informações sobre abuso sexual aprendidas em confissão, e decretos estaduais que buscam obrigar organizações a colocar cobertura para aborto em seus planos de saúde.

FONTE: ACI Digital