24 de fev de 2026 às 16:35
O bispo Heiner Wilmer, de Hildesheim, Alemanha, foi eleito hoje (24) presidente da Conferência Episcopal Alemã, sucedendo ao bispo de Limburgo, Georg Bätzing, no comando do poderoso órgão episcopal do país por um mandato de seis anos.
Wilmer, de 64 anos, membro da Ordem dos Sacerdotes do Sagrado Coração (Dehonianos), foi escolhido na assembleia plenária de primavera da DBK em Würzburg, Bavária. Ele é bispo de Hildesheim, no norte da Alemanha, desde 2018 e serviu antes como superior-geral de sua ordem religiosa em Roma.
Glória a Deus
Wilmer adotou um tom espiritual em suas primeiras declarações à imprensa como presidente da DBK, sigla em alemão da conferência episcopal. Ele começou com as palavras do Glória — “Glória a Deus nas alturas e paz na terra” — e chamou-as de sua “bússola”.
O bispo falou sobre o conflito na Ucrânia no aniversário da invasão em grande escala da Rússia, dizendo: “Essa guerra precisa acabar — agora”.
Respondendo a Martin Rothweiler, da EWTN Germany, sobre suas prioridades além da sinodalidade, ele disse: “Considero minha principal tarefa pôr Deus no centro”.
Sobre a questão de saber se a Santa Sé aprovaria os estatutos de uma proposta de conferência sinodal permanente na Alemanha, Wilmer disse estar “confiante”, dizendo que tanto o papa Francisco quanto o papa Leão XIV falaram sobre a sinodalidade como um modo fundamental da vida da Igreja.
O órgão proposto é a versão mais recente dos planos para estabelecer um órgão permanente na Alemanha, na sequência do processo, que se seguiu a repetidas intervenções do papa Francisco e da Santa Sé.
A eleição ocorre no momento em que os bispos devem votar, na mesma plenária, sobre os estatutos do órgão proposto, que daria aos leigos direitos de voto iguais aos dos bispos em assuntos de governança da Igreja. A Santa Sé tem manifestado repetidamente oposição à proposta.
Um apoiador consistente do Caminho Sinodal
O histórico de votações de Wilmer o coloca firmemente entre os apoiadores do Caminho Sinodal Alemão.
O bispo votou com a maioria no Caminho Sinodal, evento de 2019-2023 que aprovou resoluções que pediam a bênção de uniões homossexuais, ordenação de mulheres e fim do celibato.
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Segundo o jornal National Catholic Register, da EWTN, Wilmer também foi considerado — mas acabou não sendo escolhido — pelo papa Francisco no fim de 2022 para chefiar o Dicastério para a Doutrina da Fé.
Núncio alertou para o risco de cisma
Um dia antes da eleição de Wilmer, o núncio apostólico na Alemanha, o arcebispo Nikola Eterović, enviou uma mensagem à DBK com um alerta sobre o risco de reformas levarem à divisão.
Eterović falou sobre Marcantonio de Dominis (1560–1624), arcebispo croata que defendeu a reforma da Igreja, mas rompeu com Roma, teve seus ensinamentos condenados e teve um fim trágico. “Recordo a figura controversa do meu compatriota para mostrar que a boa vontade de fazer reformas na Igreja, e até mesmo o uso de fórmulas válidas em si mesmas, pode por vezes levar à divisão e até ao cisma”, disse o arcebispo croata.
Para evitar tais consequências, disse o núncio, era necessário permanecer “firmemente enraizado na Igreja una, santa, católica e apostólica”, com o papa como garante da unidade.
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Bätzing defende legado
Numa entrevista coletiva ontem (23), o presidente que deixa o cargo, Bätzing, defendeu o Caminho Sinodal Alemão. Para ele, há “pontos em que acredito que podemos mudar a doutrina da Igreja em benefício das pessoas sem tocar na essência do que é católico”.
Ele disse que a moral sexual da Igreja era “em grande medida simplesmente ineficaz” porque fiéis católicos “simplesmente a deixam de lado e vivem suas vidas”. Bätzing disse também: “Eu defendo as doutrinas da Igreja Católica. Esta é a minha Igreja”.

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