25 de fev de 2026 às 12:33
Num mundo onde “a noção de ‘liberdade se tornou controversa no discurso público”, os cristãos devem ter clareza sobre o que significa liberdade à luz da fé, disse o bispo Erik Varden ao papa Leão XIV e aos membros da Cúria Romana no retiro da Quaresma.
“A liberdade é um bem ao qual todos aspiramos; nos levantamos contra tudo aquilo que ameaça restringir ou limitar nossa liberdade”, disse Varden na quarta meditação do retiro, realizada ontem (24). “Consequentemente, o vocabulário da liberdade é uma ferramenta retórica eficaz”.
“Sugestões de que a liberdade de um determinado grupo está em risco provocam reações imediatas de indignação na internet”, disse ele. “Várias causas políticas na Europa agora se apropriam do jargão da liberdade”.
“Isso gera tensões”, disse o bispo norueguês. “O que um segmento da sociedade percebe como libertador é considerado opressivo por outros”.
“Frentes opostas se erguem, com a bandeira da liberdade hasteada em todos os lados”, disse Varden. “Conflitos acirrados surgem de agendas incompatíveis de suposta libertação. Essa situação é um desafio para os cristãos”.
Varden, cisterciense norueguês e bispo de Trondheim, Noruega, fundamentou sua reflexão no ensinamento de são Bernardo de Claraval sobre a liberdade, dizendo que, para os cristãos, a verdadeira liberdade é inseparável da obediência amorosa do Filho ao Pai.
“Fundamentando sua compreensão de liberdade no ‘Sim!’ do Filho à vontade do Pai, Bernardo promove uma revolução em nossa compreensão do que significa ser livre”, disse ele. “A liberdade cristã não se trata de tomar o mundo pela força; trata-se de amar o mundo com um amor crucificado, magnânimo o suficiente para nos fazer desejar livremente, em união com Cristo, dar nossas vidas por ele, para que seja libertado”.
Varden também falou sobre o modo como a “liberdade”, quando dissociada da pessoa e da verdade, pode ser explorada para justificar a opressão.
“É preciso cautela quando a liberdade, mantida como refém pela força, é manipulada como meio de legitimar as ações de sujeitos impessoais como o Partido, a Economia ou mesmo a História”, disse ele. “Numa perspectiva cristã, nenhuma política opressiva pode ser redimida por invocações de liberdade ideológica. A única liberdade significativa é a pessoal; e a liberdade de uma pessoa não pode anular a de outra”.
“Aderir a uma ideia cristã de liberdade é consentir com a dor”, disse Varden. Quando Cristo diz: Não resistam ao mal, Ele não nos pede para tolerar a injustiça. Ele nos mostra que a causa da justiça às vezes é melhor servida pelo sofrimento, recusando-se a responder à força com força”.
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“Nosso emblema de liberdade continua sendo o Filho de Deus que se esvaziou”, concluiu ele.
Na quinta meditação, proferida depois na capela Paulina, Varden citou novamente são Bernardo, concentrando-se na ambição como uma distorção da relação da alma com a verdade.
“A ambição é um modo particular de capitulação à mentira”, disse ele. “A ambição é um modo pouco sutilmente sublimado de cupidez”. Citando são Bernardo, ele descreveu a ambição como “um mal sutil, um vírus secreto, uma praga oculta, uma artesã do engano”, dizendo que ela “brota de uma alienação da mente”.
“É uma loucura que surge quando a verdade é esquecida”, disse Varden. “O fato de a ambição ser um modo de insanidade a torna ridícula em qualquer circunstância, mas especialmente quando ocorre em pessoas dedicadas ao serviço altruísta”.
Varden então falou sobre a pergunta de Pilatos — O que é a verdade? — dizendo que ela não deve ficar sem resposta em meio à confusão e ao medo dos dias atuais.
“As pessoas do nosso tempo fazem essa pergunta com seriedade, muitas vezes com notável boa vontade, apesar da confusão, do medo e da pressa constante em que vivem”, disse o bispo. “Não podemos deixá-las sem resposta”. Precisamos dos nossos melhores recursos para defender a verdade substancial, essencial e libertadora contra substitutos mais ou menos plausíveis e brilhantes, mais ou menos diabólicos”.
“Em nossa situação, repleta de oportunidades, é imprescindível ver e expressar o mundo à luz de Cristo”, disse Varden. “Cristo, que é a verdade, não só nos protege; Ele nos renova, ansioso para se revelar através de nós a uma criação cada vez mais consciente de estar sujeita à futilidade”.
Falando sobre a ênfase dada pelo Concílio Vaticano II à santidade, o bispo disse que a reivindicação da Igreja à verdade convence mais quando é vivida pessoalmente.
“Não foi o chamado universal à santidade, o chamado, ou seja, a encarnar a verdade, a nota mais forte tocada pelo Concílio Vaticano II?”, perguntou ele. “Ressoou esplendidamente como um gongo em todas as suas deliberações. A reivindicação cristã da verdade torna-se irresistível quando o seu esplendor se manifesta pessoalmente com amor sacrificial em santidade, purificado das tentações de contemporizar”.

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