25 de fev de 2026 às 16:03
O presidente dos EUA, Donald Trump, falou sobre suas políticas relacionadas à redesignação sexual de menores de idade e seus esforços contínuos de deportação em massa, mas evitou o tema do aborto em seu discurso sobre o Estado da União na noite de ontem (24).
“Redesignação sexual” é o nome do conjunto de procedimentos médicos usados por parte das pessoas que se identificam com o sexo oposto. Pode incluir a administração de hormônios que alteram características sexuais secundárias, como quantidade de pelos no corpo e tom de voz, e cirurgias cosméticas para imitar os órgãos sexuais do sexo com que a pessoa passa a se identificar.
“Nossa nação está de volta: maior, melhor, mais rica e mais forte do que nunca”, disse Trump, cerca de um ano e um mês depois do início de seu segundo mandato não consecutivo.
O presidente disse que houve “uma tremenda renovação na religião, na fé, no cristianismo e na crença em Deus”. Ele atribuiu a seu “grande amigo Charlie Kirk” a contribuição para essa tendência. A viúva de Kirk, Erika, estava entre os convidados.
“Em memória de Charlie, devemos nos unir para reafirmar que a América é uma nação, sob a proteção de Deus, e devemos rejeitar totalmente a violência política de qualquer tipo”, disse Trump. “Amamos a religião e amamos trazê-la de volta, e ela está voltando a níveis que ninguém imaginava serem possíveis. É realmente lindo de se ver”.
A redesignação sexual de menores
Algumas das primeiras ações de Trump como presidente focaram em políticas que restringem drogas e cirurgias de redesignação sexual para menores, e que limitam os esportes femininos às mulheres.
Uma das convidadas para o discurso sobre o Estado da União foi Sage Blair, mulher da Virgínia que passou por redesignação sexual aos 14 anos, em 2021. A escola pública de ensino médio na qual ela estudava não informou seus pais quando ela começou a se identificar com o sexo oposto.
Blair fugiu de casa e foi aliciada para uma rede de tráfico sexual em Washington, D.C. e no Estado de Maryland. Um juiz suspendeu a guarda de seus pais depois que o defensor público os acusou de “tratá-la com pronomes de gênero errados”, e a garota foi colocada num orfanato no Texas, de onde também fugiu e foi novamente vítima de tráfico sexual. Ela acabou voltando para casa e parou de se identificar com o sexo oposto.
“Uma Sage confusa fugiu de casa”, disse Trump. “Depois de ser encontrada numa situação horrível em Maryland, um juiz de esquerda se recusou a devolver Sage aos pais porque eles não disseram imediatamente que a filha era seu filho”.
Em seu discurso, Trump disse que os legisladores deveriam concordar que “nenhum Estado pode ter permissão para arrancar crianças dos braços de seus pais e transferi-las para um novo gênero contra a vontade dos pais”.
“Devemos proibir isso e devemos proibir isso imediatamente”, disse o presidente.
Trump pediu aos parlamentares que se levantassem e aplaudissem se concordassem. Os republicanos se levantaram, mas a maioria dos democratas permaneceu sentada, com o presidente dizendo depois: “Ninguém se levanta. Essas pessoas são loucas, eu digo a vocês, elas são loucas”.
Mary Rice Hasson, diretora do Projeto Pessoa e Identidade do Centro de Ética e Políticas Públicas, disse à EWTN depois do discurso que “foi extremamente significativo o presidente criticar esse aspecto maligno da ideologia de gênero, que é muito mais disseminado do que os pais imaginam”.
“Muitas escolas públicas continuam facilitando a rejeição, por parte da criança, do seu próprio sexo e a esconder isso dos pais, frequentemente com consequências trágicas”, disse Hasson.
Susan Hanssen, professora de história da Universidade de Dallas — uma instituição católica — disse que a reação do presidente à história de Blair “pareceu muito genuína”.
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“Ele expressou surpresa pelo fato de a transição de gênero sequer ter sido mencionada como uma questão”, disse ela. “Essa foi uma questão que ele deixou de lado imediatamente depois de entrar na Casa Branca, esclarecendo por meio de um decreto que só existem gêneros masculino e feminino”.
Deportações em massa e imigração
Em seu discurso, Trump reforçou os esforços de deportação em massa, ridicularizou imigrantes da Somália, atribuiu a si mesmo o mérito pelo reforço da segurança nas fronteiras e acusou os democratas de apoiarem “fronteiras abertas”.
“Depois de quatro anos em que milhões e milhões de imigrantes ilegais cruzaram nossas fronteiras sem qualquer verificação ou controle, agora temos, de longe, a fronteira mais forte e segura da história americana”, disse Trump.
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O presidente disse que os EUA “sempre permitirão a entrada legal de pessoas que amam nosso país e trabalham arduamente para mantê-lo”.
Trump falou sobre crimes específicos cometidos por imigrantes que estavam no país ilegalmente e pediu ao Congresso que proibisse cidades-santuário, que se recusam a auxiliar em deportações, e impusesse penalidades a funcionários públicos que obstruem a aplicação das leis de imigração.
O presidente também pediu ao Congresso dos EUA que aprove uma lei que proíba os Estados de fornecerem carteiras de motorista a imigrantes que vivem ilegalmente no país.
“Muitos, senão a maioria, dos imigrantes ilegais não falam inglês e não conseguem ler nem mesmo as placas de trânsito mais básicas que indicam direção, velocidade, perigo e localização”, disse ele, citando os ferimentos sofridos por Dalilah Coleman, uma criança que foi atropelada por um caminhão de 18 rodas dirigido por um imigrante que estava no país ilegalmente.
Trump reservou sua retórica mais agressiva para os imigrantes somalis. O governo federal dos EUA está atualmente investigando esquemas de fraude em Minnesota, que o governo diz terem sido cometidos principalmente por somalis.
“Os piratas somalis que saquearam Minnesota nos lembram que existem grandes partes do mundo onde o suborno, a corrupção e a ilegalidade são a norma, não a exceção”, disse o presidente.
“Importar essas culturas por meio da imigração irrestrita e fronteiras abertas traz esses problemas diretamente para os EUA, e é o povo americano que paga o preço com contas médicas mais altas, taxas de seguro de carro, aluguel, impostos e, talvez o mais importante, criminalidade”, disse ele. “Vamos resolver esse problema. Nós vamos resolver esse problema. Não estamos brincando”.
A governadora da Virgínia, Abigail Spanberger, que apresentou a resposta dos democratas ao discurso do Estado da União, criticou Trump por sua retórica e políticas de imigração.
“Eles prenderam e detiveram cidadãos americanos e pessoas que aspiram a ser americanos, e fizeram isso sem mandado”, disse ela. “Eles separaram mães que amamentavam seus bebês. Enviaram crianças… para centros de detenção distantes e mataram cidadãos americanos em nossas ruas, e fizeram tudo isso com os rostos cobertos para evitar serem responsabilizados”.
John White, professor emérito de ciência política na Universidade Católica da América, também criticou a retórica do presidente sobre os somalis, dizendo à EWTN que “ele está menosprezando um grupo de americanos, muitos dos quais o apoiaram em 2024”.
Em novembro do ano passado, a Conferência dos Bispos Católicos dos EUA (USCCB, na sigla em inglês) emitiu uma mensagem especial que se opunha à “deportação em massa indiscriminada de pessoas” e pedia o fim da “retórica desumanizadora e da violência, seja dirigida a imigrantes ou às forças da lei”. A mensagem foi aprovada por 216 votos a cinco.

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