26 de fev de 2026 às 16:00
O bispo de Fort Wayne-South Bend, Indiana, EUA, Kevin Rhoades, rezou o terço com cerca de 50 pessoas na gruta de Nossa Senhora de Lourdes da universidade católica Notre Dame, em temperaturas congelantes no início da noite de quarta-feira (24) pela identidade católica da universidade, que nomeou uma ativista pró-aborto para um cargo de liderança. Entre os participantes estavam estudantes, padres da Congregação da Santa Cruz, responsáveis pela universidade, e membros da comunidade local de South Bend.
No terço, Rhoades ajoelhou-se diante da gruta mariana ao lado dos estudantes organizadores Luke Woodyard e Gabriel Ortner.
“Estou muito orgulhoso de vocês”, disse Rhoades aos alunos reunidos ao fim do terço. “Está tão frio, e vocês vieram. Então continuem com o bom trabalho”.
Rhoades criticou a universidade pela nomeação de Susan Ostermann para chefiar o Instituto Liu para Estudos Asiáticos. Ostermann, professora da universidade, tem um longo histórico de defesa ativa do aborto.
Em sua carta de 11 de fevereiro, Rhoades expressou seu “desânimo e forte oposição” à nomeação, dizendo que a defesa do aborto por Ostermann deveria desqualificá-la para liderar um instituto encarregado de promover o “desenvolvimento humano integral” na Ásia.
“Apelo à liderança de Notre Dame para que retifique essa situação”, escreveu o bispo, dizendo que a nomeação só entra em vigor em 1º de julho. “Ainda há tempo para corrigir as coisas”.
A nomeação de Ostermann não foi mencionada explicitamente por Rhoades na cerimônia religiosa. Ele falou ao jornal National Catholic Register, da EWTN, sobre sua gratidão pelo “testemunho pró-vida de Notre Dame, refletido nos alunos e professores que trabalham para promover uma cultura de vida por meio de suas organizações, programas e exemplo diário”.
“Confio a comunidade de Notre Dame e seus líderes à intercessão de Nossa Senhora de Lourdes”, disse Rhoades. “Convido todos os fiéis a se unirem em oração — talvez acendendo uma vela na gruta — pedindo à nossa Santíssima Mãe que interceda por Notre Dame e por sua proclamação e serviço do Evangelho de seu Filho, o Evangelho da vida”.
Sabrina Richter, caloura da Universidade de Notre Dame, disse que compareceu à cerimônia religiosa porque “o caráter católico de Notre Dame vale a pena ser preservado e vale a pena lutar por ele”.
“Se deixarmos uma coisa escapar, outra poderá escapar”, disse ela, referindo-se à nomeação de Ostermann.
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Contexto da nomeação
Ostermann, cuja nomeação foi anunciada em janeiro, é autora de 11 artigos em defesa do acesso ao aborto, classificando-o como “promotor da liberdade” e “compatível com o desenvolvimento humano integral que enfatiza a justiça social e a dignidade humana”. Ela disse que o movimento pró-vida foi fundado na “supremacia branca e no racismo” e chamou os centros de apoio à gravidez de “locais de propaganda antiaborto”.
Desde que a nomeação foi anunciada no mês passado, a universidade tem enfrentado reações negativas de católicos em várias partes dos EUA. Dezoito bispos apoiaram publicamente a oposição de Rhoades à nomeação, segundo o Sycamore Trust, grupo de ex-alunos de Notre Dame que acompanha a controvérsia. A lista tem o arcebispo de Oklahoma City, Paul Coakley — presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA (USCCB, na sigla em inglês) — e dois bispos formados em Notre Dame: o bispo de Springfield, Illinois, Thomas Paprocki, e o bispo de San Angelo, Texas, Michael Sis.
Apesar da reação negativa de ex-alunos, membros do corpo docente, mídia e bispos, e da renúncia de dois membros do corpo docente aos seus cargos no Instituto Liu, a universidade continuou defendendo a nomeação.
“[Ostermann] disse claramente que respeita a posição da universidade sobre a santidade da vida e que, como diretora, entende que seu papel é apoiar as várias pesquisas dos acadêmicos e alunos do instituto, e não promover uma agenda pessoal”, disse um porta-voz da universidade ao The Observer, jornal estudantil de Notre Dame na última terça-feira (24).
Marcha estudantil planejada
Os estudantes de Notre Dame, no entanto, não desistem. Uma “Marcha na Cúpula”, organizada por estudantes, vai ocorrer amanhã (27) para protestar contra o que os organizadores chamam de “demolição de nossa identidade católica”. O evento terá discursos de estudantes e uma procissão à luz de velas até a gruta.
Woodyard, estudante do segundo ano que co-organizou ambos os eventos, disse que a cerimônia de oração com Rhoades estabeleceu o tom correto para a marcha de amanhã.
“Não estamos tentando denegrir Notre Dame”, disse ele. “Estamos tentando dizer: Ei, nós amamos vocês e só queremos o melhor para vocês. E é exatamente isso que os alunos pensam… queremos que Notre Dame seja católica e queremos preservar sua identidade católica num sentido genuíno”.

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