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Diocese de Presidente Prudente entrega documentação da causa de monsenhor Nakamura para a Santa Sé

A diocese de Presidente Prudente (SP) vai entregar à Santa Sé no dia 8 de abril os documentos da fase supletória do processo de beatificação e canonização de monsenhor Domingos Chohachi Nakamura, primeiro missionário católico japonês no Brasil. Essa fase é dedicada à complementação de provas e documentos históricos a pedido do Dicastério para as Causas dos Santos.

Monsenhor Nakamura

O servo de Deus Domingos Chohachi Nakamura nasceu em 22 de agosto de 1865, em Fukue, uma das ilhas do arquipélago Goto, no Japão. Seu nome de batismo era Dominic Chohachi. Segundo a biografia publicada no site da diocese de Presidente Prudente, seus pais “eram descendentes dos cristãos que haviam chegado a ilha, refugiando-se das perseguições religiosas”.

Quando Chohachi tinha três anos, seu pai morreu. Sua mãe se casou novamente. Ela morreu em 1880, quando o Chohachi tinha 15 anos. No mesmo ano, morreu a irmã dele e ele ficou sozinho.

Ainda em 1880, Chochachi ingressou no seminário de Nagasaki, onde fez “estudos clássicos, filosóficos e teológicos com distinção”. Foi ordenado padre em 7 de fevereiro de 1897. Em seguida, foi designado para as missões na ilha Amami Oshima, ao sul do Japão, onde “trabalhou incansavelmente” por 26 anos.

Em 1912, o bispo de Nagasaki recebeu um pedido para o envio de um ou dois padres para atender os japoneses no Brasil. “Como nenhum outro sacerdote havia se apresentado, monsenhor Nakamura comunicou ao bispo que, embora sendo idoso, se fosse aceito, aceitaria a incumbência de ir ao Brasil, a fim de trabalhar para os imigrantes japoneses”.

Depois de ter seu pedido aceito, monsenhor Nagasaki embarcou para o Brasil em 11 de junho de 1923. Dois meses depois, em 23 de agosto de 1923, desembarcou no porto de Santos (SP). Logo foi visitar o núncio apostólico no Rio de Janeiro (RJ) e recebeu “uma carta de recomendação às ordens eclesiásticas, assegurando que o apostolado, entre os imigrantes japoneses, era um desejo apostólico de Roma”.

Em 30 de agosto de 1923, chegou ao bispado de Botucatu (SP) para iniciar seu trabalho missionário. “As viagens que empreendia eram as mais precárias possíveis”, diz a diocese, ressaltando que poucas vezes ele viajava de trem. “Na maioria das vezes, ele utilizava como meio de transporte o que era mais comum: as carroças, os cavalos ou andava a pé, carregando pesadas bagagens, inclusive a pedra de ara e outros objetos para a celebração da missa”.

Monsenhor Nakamura viajava por todo o Estado de São Paulo, Mato Grosso, Paraná e sul de Minas Gerais. “Percorria inúmeras localidades, em árduo trabalho de pastoreio das almas”.

Em 1938, recebeu das mãos do almirante Shinjiro Yamamoto, da Marinha Imperial Japonesa, a medalha “Ordem de São Gregório, Grande”, concedida pelo papa Pio XI.

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Fixou moradia por pouco tempo em Birigui (SP), em uma casa “de extrema pobreza”. Depois, foi para Álvares Machado (SP), onde sua “casa possuía apenas dois cômodos e localizava no meio das plantações de café e algodão”.

O sacerdote nunca teve uma paróquia no Brasil. “Sempre foi missionário itinerante”, diz a diocese. Ele morreu em 14 de março de 1940, depois de 42 anos de sacerdócio, 17 dos quais no Brasil. Deixou “exemplo de trabalho, humildade e pobreza, como verdadeiro apóstolo de Cristo”.

Seu processo de beatificação teve início em 2009.

Processo segue para a Santa Sé

Na terça-feira (3), aconteceu a cerimônia oficial de assinatura e encerramento da fase supletória do processo de beatificação de monsenhor Nakamura, na cúria diocesana de Presidente Prudente. Estiveram presentes autoridades eclesiásticas, membros da Comissão Histórica, seminaristas e representantes da comunidade nipo-brasileira.

Os documentos foram assinados pelos integrantes da Comissão Histórica e pelo Tribunal do processo. O bispo de Presidente Prudente, dom Benedito Gonçalves dos Santos, firmou o encerramento formal da etapa, ao lado do vice-postulador padre Leandro César Martins, do notário da causa, padre Jurandir Severino de Lima, do juiz do processo, monsenhor Miguel Valdrighi, e dos peritos responsáveis pelo relatório: o advogado, professor e escritor Benjamin Teodoro de Resende e os jornalistas Marco Vinicius Ropelli, Thaisa Sallum Bacco e Vinícius Marini Coimbra.

A documentação será entregue no dia 8 de abril ao Dicastério para as Causas dos Santos pelo padre Leandro Martins. Mas antes, no próximo domingo (8), a notícia será anunciada à comunidade japonesa católica do Brasil no Congresso Anual da Pastoral Nipo-Brasileira (PANIB), em Álvaro Machado. O evento acontece sempre no segundo domingo e março, data próxima ao dia da morte de Nakamura, ocorrida em 14 de março de 1940.

Com o envio dos documentos para a Santa Sé, o processo segue para a fase romana, para análise da vida, das virtudes e da fama de santidade do monsenhor. Depois, o papa poderá reconhecer as virtudes heroicas do servo de Deus, que passará a ser chamado venerável. Para a posterior beatificação, é necessário o reconhecimento de um milagre atribuído à intercessão de Nakamura.

No site da diocese de Presidente Prudente está disponível uma oração, com aprovação eclesiástica, para pedir a intercessão de monsenhor Nakamura:

O Deus, que na vossa infinita misericórdia concedestes inúmeras graças ao vosso servo, Domingos Nakamura que, como pastor e missionário itinerante, por amor ao próximo e a serviço do Evangelho, percorreu longas distâncias e centenas de localidades, pela conversão e salvação das almas, suscitai-nos o desejo de imitá-lo no seu exemplo de humildade, pobreza e trabalho, aumentai em nós a Fé, a Esperança e a Caridade, e concedei-nos a graça que ardentemente desejamos. Amém.

FONTE: ACI Digital