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Teólogos dizem a Trump que siga doutrina da guerra justa no Irã

Os EUA e Israel lançaram ataques militares conjuntos contra a República Islâmica do Irã no último fim de semana, levando o regime iraniano a retaliar com ataques de drones e mísseis contra Israel, bases e instalações americanas, aeroportos e infraestrutura energética dos países do golfo, e outros alvos.

Em meio à tensão, teólogos católicos que falaram com a EWTN News alertam o presidente dos EUA, Donald Trump, para que mantenha a clareza moral em suas decisões e conduta, cumprindo a longa tradição católica da doutrina da guerra justa.

Seguir a doutrina da guerra justa “não é só importante, mas imprescindível”, disse Joseph Capizzi, reitor e professor titular de teologia moral e ética da Universidade Católica da América, nos EUA. “Os governos devem considerar esses princípios da guerra justa porque eles são, antes de tudo, e melhor compreendidos como princípios da boa governança, ou da arte de governar”.

Para que uma guerra seja justificada, segundo o Catecismo da Igreja Católica, ela deve ser travada para combater um mal grave, o dano causado pela guerra não pode ser maior do que o mal que ela visa eliminar, deve haver uma perspectiva séria de sucesso e todas as alternativas à guerra devem já ter sido tentadas.

Taylor Patrick O’Neill, professor de teologia no Thomas Aquinas College, disse à EWTN News que todas as condições devem estar presentes para que uma guerra seja justa. Ele disse que uma guerra é pecaminosa “se não atender a um único desses critérios”.

Justa causa e último recurso

A justificativa de Trump baseia-se na alegação de que o regime iraniano busca obter uma arma nuclear por meio de seu programa de enriquecimento de urânio.

Em junho do ano passado, Trump ordenou o bombardeio da usina de enriquecimento de urânio de Fordow, Irã, e disse na ocasião que o Irã estava “a poucas semanas de ter uma arma nuclear”. Autoridades divulgaram relatos conflitantes sobre o sucesso do ataque e o quanto ele atrasou o programa nuclear iraniano, variando de meses a anos.

As declarações de Trump pareciam contradizer o depoimento prestado três meses antes por Tulsi Gabbard, diretora de Inteligência Nacional dos EUA, que disse que a avaliação da comunidade de inteligência era de que “o Irã não está construindo uma arma nuclear” e que o então líder supremo do país, Ali Khamenei, sequer havia autorizado um programa de armas nucleares.

Em janeiro, Trump retomou as negociações com o Irã, mantendo as mesmas alegações e exigindo um acordo que previsse o fim ou a redução do enriquecimento de urânio e a diminuição do programa de mísseis balísticos.

O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Al Busaidi — mediador nas negociações — disse ao programa Face the Nation, da rede de televisão americana CBS em 27 de fevereiro, que o Irã concordou com várias concessões. O país concordou em reduzir o enriquecimento de urânio e seu estoque a um nível em que o Irã “jamais poderia ter material nuclear capaz de produzir uma bomba” e se submeteria a inspeções.

Al Busaidi disse acreditar que “o acordo de paz está ao nosso alcance”, mas menos de um dia depois, Trump lançou a Operação Fúria Épica, que deu início aos ataques militares contra o Irã. Trump disse na última terça-feira (3): “Na minha opinião, eles atacariam primeiro”.

O’Neill disse à EWTN News que, para uma guerra ser justificada, ela precisa de uma causa justa e uma intenção correta, o que significa que uma guerra não é justificada por uma causa justa se “na verdade, sua intenção ao entrar em guerra for outra”.

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Ele disse que os fiéis têm o direito de “perguntar se existe ou não justa causa” e “perguntar se existe ou não boa intenção”. Ele disse que seria necessária uma ameaça “iminente”, como, por exemplo, se houvesse “alguma arma ou [se] algum tipo de ação militar estivesse sendo planejada e fosse executada”.

O’Neill disse que muitas vezes é difícil para o público em geral saber se a causa é legítima ou se é realmente o último recurso: “Não sabemos quais opções foram tentadas antes”. Ele disse que pode haver informações indisponíveis ao público que fazem “parte do cálculo moral”.

Capizzi disse que, ao considerar se a ação militar é realmente o último recurso, ela deve ser “avaliada em termos da gravidade da ameaça” e do impacto de não conseguir “diminuir ou eliminar essa ameaça”.

Ele disse que uma ameaça mais grave poderia acelerar o processo rumo a um “uso justo da força”.

Força proporcional e um objetivo final

Na última segunda-feira (2), Trump discursou aos EUA para agradecer aos militares do país pela eliminação de líderes militares iranianos e prometer uma intensificação de ataques aéreos.

Ele disse que a missão poderia durar de quatro a cinco semanas, mas não disse quem controlaria o país ao término da missão. Antes, ele disse que poderia trabalhar com a nova liderança dentro do regime, mas também instou os iranianos a se revoltarem e assumirem o controle do país.

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Para determinar se os danos causados ​​pela guerra serão mais graves do que o mal que ela pretende aliviar, Capizzi disse que o objetivo deve ser “a paz… medida pela justiça e pela ordem e atrelada a resultados políticos reais e alcançáveis”. Ele disse que “simplesmente decapitar o chefe de um regime não é um resultado político suficiente, pois cria uma desordem política muito difícil de controlar”.

O’Neill disse que “deveria haver algum tipo de plano e uma expectativa real de que esse plano seja bem-sucedido” para que se chegasse a essa conclusão. Ele disse que os critérios para uma guerra justa não podem ser atendidos se “não estiver muito claro qual é o objetivo”.

“Seria necessário algum tipo de plano, e esse plano teria que ser baseado em avaliações de inteligência e informações muito confiáveis ​​sobre o que acontecerá com o Irã depois desses ataques”, disse ele.

O’Neill disse que o cálculo moral também teria que levar em consideração os resultados de intervenções anteriores no Oriente Médio, como no Afeganistão, no Iraque, na Síria e na Líbia.

Ele disse que, se os planos anteriores “não se concretizaram… então, é claro, isso teria que ser levado em consideração em quaisquer mudanças de regime futuras”, ao tentar atender aos critérios de guerra justa, como a probabilidade de sucesso e a melhoria da situação do Irã depois da conclusão da missão.

FONTE: ACI Digital