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CNBB alerta sobre violência contra mulheres em mensagem pelo Dia Internacional da Mulher

“Como discípulos de Jesus Cristo, não podemos aceitar que a cultura da violência e do desrespeito prevaleça sobre o valor sagrado da vida”, disse a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em mensagem pelo Dia Internacional da Mulher, celebrado hoje (8). A entidade alertou sobre o fato de que “os níveis de violência contra as mulheres em nossa pátria são inadmissíveis”.

Na mensagem publicada hoje e assinada pela presidência da CNBB, a conferência episcopal se une “ao reconhecimento da presença e da contribuição insubstituível das mulheres na vida da sociedade, da família e da Igreja”. Diz ainda que “a presença feminina na sociedade e na Igreja não é apenas necessária, mas indispensável para que a humanidade reflita plenamente o projeto de Deus”.

Entretanto, ressalta a CNBB, “não podemos permanecer em silêncio diante das estruturas de pecado que ferem a vida e a dignidade de tantas filhas de Deus”. “Onde a vida é agredida, o Evangelho nos convoca a clamar por justiça e a agir com solidariedade”, diz.

Segundo a mensagem da conferência episcopal, foram registrados em 2025 “1.568 feminicídios no Brasil”. “Cada número”, diz a CNBB, “representa uma vida interrompida, uma família dilacerada e uma ferida aberta no tecido social”. Ainda segundo a entidade, 63,5% dessas vítimas” são “mulheres negras, evidenciando como racismo e misoginia se entrelaçam para ferir os mais vulneráveis”. Além disso, diz que “quase metade das mulheres brasileiras não se sente tratada com respeito em casa, no trabalho ou nas ruas”.

“É urgente enfrentar todas as formas de violência — física, psicológica, patrimonial e sexual — combatendo as raízes culturais que sustentam tais práticas”, diz a CNBB, destacando em seguida “a triste realidade do aumento dos feminicídios de adolescentes, bem como a vulnerabilidade enfrentada por mulheres indígenas”.

Na mensagem, a CNBB também alerta sobre “uma persistente desigualdade” no mercado de trabalho, “marcada pela disparidade salarial e pela limitação do acesso das mulheres aos espaços de decisão”.

Ao cita a Carta às Mulheres, publicada em 1995 pelo papa são João Paulo II, a CNBB diz que “é urgente alcançar em toda parte a efetiva igualdade dos direitos da pessoa e, portanto, também a igualdade salarial em relação ao trabalho realizado, a tutela da trabalhadora-mãe e uma justa progressão na carreira”.

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A conferência episcopal também se refere ao ambiente digital, onde, diz, há “a difusão de correntes ideológicas que alimentam o desprezo e a hostilidade contra as mulheres, promovendo discursos de ódio e formas renovadas de violência”. Para a CNBB, é preciso “fortalecer a responsabilidade social, a vigilância ética e a promoção de uma cultura digital que respeite a dignidade de toda pessoa humana, para que as redes sejam espaços de encontro e não de agressão”.

Para a CNBB, “diante desse quadro”, é urgente “fortalecer a consciência social e promover redes de apoio que acolham, protejam e acompanhem as mulheres em situação de vulnerabilidade”.

“Como Igreja, somos chamados a ser presença de escuta, solidariedade e defesa da vida”.

Mulheres ajudam a manter viva a fé

Em sua mensagem pelo Dia Internacional da Mulher, a CNBB também expressou “sincera gratidão” às mulheres que, nas “comunidades eclesiais espalhadas por todo o Brasil, oferecem generosamente seu tempo, sua fé e seus dons no serviço ao Evangelho”.  Para a entidade, as mulheres “sustentam a vida” das comunidades e “tornam presente o cuidado da Igreja junto ao povo de Deus”, seja “na catequese, na animação litúrgica, na missão, nas pastorais, nos movimentos e em tantas outras frentes de serviço”.

“Com dedicação silenciosa e perseverante, muitas vezes marcada pelo espírito de serviço e pela atenção aos mais frágeis, essas mulheres ajudam a manter viva a fé em nossas comunidades e contribuem decisivamente para que a Igreja seja cada vez mais casa de acolhida, fraternidade e esperança”, diz a mensagem.

Por fim, a CNBB pede “que a Virgem Maria, ‘mulher forte’ (cf. Marialis Cultus, 37), nos ensine a reconhecer, valorizar e respeitar sempre a dignidade de cada mulher”. E confia à intercessão de Nossa Senhora Aparecida “todas as mulheres e todos aqueles que se empenham na construção de uma sociedade que escolhe a vida, a justiça e a paz”.

FONTE: ACI Digital