8 de mar de 2026 às 14:31
No âmbito do Dia Internacional da Mulher, celebrado hoje (8), o papa Leão XIV disse que a violência contra as mulheres lhe causa “grande sofrimento”, ao responder a uma leitora de Roma que lhe escreveu perguntando o que pode ser feito diante dos feminicídios.
O papa Leão respondeu a uma carta de uma mulher chamada Giovanna, que mora em Roma e disse ser “afortunada” por estar casada com um homem que a ama e respeita, publicada na última edição da revista Piazza San Pietro, que neste mês de março é dedicada às mulheres.
Em sua carta, a mulher confessa estar com os “olhos marejados” pela “armadilha mortal” em que se transforma a vida a dois quando um homem mata uma mulher por uma “cultura de posse”, na qual os mais afetados são os filhos.
Giovanna propôs uma aliança entre a Igreja Católica e as escolas, para formar os jovens no amor e no respeito. “Quem mais, senão a escola e a Igreja, pode ajudar as novas gerações a difundir uma cultura de respeito, amor e, acima de tudo, liberdade?”, questionou.
A resposta do papa Leão XIV à violência contra mulheres
“Você levanta uma grande questão que para mim é sempre motivo de grande sofrimento: a violência nas relações, e em particular a violência contra as mulheres”, respondeu o papa a Giovanna.
“Em um mundo muitas vezes dominado também por um pensamento violento, deveria ser apoiado ainda mais o gênio feminino, como afirmava são João Paulo II, o ‘gênio das mulheres’, protagonistas e criadoras de uma cultura de cuidado e fraternidade indispensável para dar futuro e dignidade a toda a humanidade”, disse.
Leão XIV disse que “talvez também por isso as mulheres sejam agredidas e mortas, porque são um sinal de contradição nesta sociedade confusa, incerta e violenta, porque nos indicam valores de fé, liberdade, igualdade, generatividade, esperança, solidariedade, justiça”.
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“São grandes valores, que, no entanto, “são combatidos por uma mentalidade perigosa que infesta as relações, produzindo apenas egoísmo, preconceitos, discriminações e vontade de domínio”, acrescentou.
Depois de lembrar que em junho de 2025 já havia denunciado a violência dos feminicídios, o papa disse que “a violência, qualquer violência, é a fronteira que divide a civilização da barbárie”.
Leão XIV aconselhou que “nunca se deve subestimar um ato de violência e não devemos ter medo de denunciar a violência, incluindo aquele clima de justificação ou que atenua ou nega as responsabilidades”.
“Caminhar juntos no respeito mútuo pela própria humanidade não é um sonho, mas a única realidade possível para construir um mundo de luz para todos”.
Uma tarefa da Igreja
O papa agradeceu a Giovanna por suas sugestões sobre uma “aliança educacional cada vez mais forte” e disse que “a Igreja, com as famílias, a escola, as paróquias, os movimentos e associações, as congregações religiosas e as instituições públicas podem compartilhar a urgência de realizar projetos específicos para prevenir e deter a violência contra as mulheres”.
O papa também lembrou que, em 25 de novembro de 2025, Dia Internacional contra a Violência contra as Mulheres, destacou que “para acabar com a violência, é preciso começar pela formação dos jovens”.
“É preciso começar por abrir todos os corações para dizer que cada pessoa é um ser humano que merece respeito, essa dignidade para homens e mulheres, todos”.

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