9 de mar de 2026 às 16:01
“O feminicídio é uma das chagas mais dolorosas da nossa sociedade”, disse o arcebispo de Fortaleza, dom Gregório Paixão, ontem (8). Em uma reflexão sobre o Evangelho do terceiro domingo da Quaresma, que narra o encontro de Jesus com a mulher samaritana junto ao poço de Jacó, o arcebispo escreveu: “Só nesse último mês de fevereiro, três mulheres perderam a vida vítimas dessa violência. Isso nos fere como cristãos”.
Dom Gregório Paixão disse que “o encontro de Jesus com a samaritana nos ensina que nenhuma mulher pode ser vista como objeto, como posse, como alguém a ser dominada” porque “toda mulher” é “filha amada de Deus” e “merece respeito, proteção e dignidade”.
Jesus “não ignora aquela mulher”, mas “a escuta, a respeita, devolve-lhe dignidade”, mesmo “em uma sociedade marcada por preconceitos”, disse o arcebispo destacando que Jesus “rompe barreiras culturais e religiosas e mostra que toda pessoa tem valor” e por isso, “ao final do encontro, aquela mulher sai transformada e se torna uma verdadeira missionária”.
Segundo dom Gregório, o Evangelho de João 4,5-42 traz duas perguntas fundamentais: “Estamos dispostos a deixar que Jesus sacie nossa sede? Estamos dispostos a permitir que Ele transforme também as nossas relações?”.
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“E é aqui que o Evangelho toca uma ferida dolorosa de nossa realidade”, disse o arcebispo. “O papa Leão XIV recordou recentemente com muita dor que o espírito quer transformar também os perigos ocultos cultos que envenenam nossas relações, como a vontade de dominar o outro, atitude que frequentemente desemboca na violência e ele mencionou explicitamente os casos de feminicídio”.
“O ano de 2025 foi o mais trágico da história recente” do Brasil “nesse respeito”, relatou dom Gregório. “Mais de 1.470 mulheres foram assassinadas, uma média de quatro por dia” e “no Ceará, foram 47 vidas interrompidas”.
Segundo o Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025, elaborado pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina (Lesfem/UEL), o Brasil registrou 6.904 casos consumados e tentados de feminicídio, em 2025, no qual 2.149 brasileiras foram assassinadas e 4.755 sofreram tentativas de assassinato. Esse número representa um aumento de 34% em relação a 2024, quando houve 5.150 vítimas.
“Por isso, eu os convido cheio de convicção, Igreja, poder público, sociedade civil e todas as pessoas de boa vontade, precisamos fazer um pacto para estancar essa sangria. Não podemos naturalizar a violência, precisamos educar para o respeito, denunciar o abuso e promover relações saudáveis, iluminadas pelo Evangelho”, disse dom Gregório Paixão pedindo “que nessa Quaresma deixemos Cristo purificar nosso coração, que a água viva do Seu amor cure nossas relações, transforme nossas atitudes e faça de nós promotores da vida e da paz.

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