10 de mar de 2026 às 09:56
O papa Leão XIV manifestou a sua tristeza pela morte de um padre no sul do Líbano, vítima de um ataque israelense ocorrido nesta segunda-feira, 9 de março.
“O papa Leão XIV expressa sua profunda tristeza por todas as vítimas dos bombardeios destes dias no Oriente Médio, pelos muitos inocentes, entre os quais muitas crianças, e por aqueles que lhes prestavam socorro, como o padre Pierre El-Rahi, um sacerdote maronita morto esta tarde em Qlaya’a”, diz um comunicado divulgado pela Sala de Imprensa da Santa Sé.
O papa “acompanha com preocupação o que está acontecendo e reza para que todas as hostilidades cessem o mais rápido possível”, acrescenta o comunicado.
Morte do padre Pierre El-Rahi
O padre Pierre El-Rahi, pároco maronita em Qlaya’a, no sul do Líbano, morreu ontem (9) num ataque a bomba enquanto corria com outras dezenas de jovens para socorrer um paroquiano ferido em um ataque anterior, disse o padre Toufic Bou Merhi, franciscano da Custódia da Terra Santa, ao Vatican News, site de notícias da Santa Sé.
A fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN) confirmou a notícia.
“Relatórios profundamente perturbadores indicam que um padre no sul do Líbano foi morto em um ataque israelense”, disse a organização em um comunicado. “O padre Pierre El-Rahi estava ministrando aos seus paroquianos enlutados na vila de Qlaya’a quando o ataque ocorreu”.
O padre El-Rahi colaborava com a fundação ACN no apoio às atividades pastorais da paróquia de Qlayaa, que atende cerca de 3 mil pessoas.
A organização católica francesa L’Œuvre d’Orient condenou o ataque e alertou para o crescente risco à população civil.
“L’Œuvre d’Orient condena nos termos mais fortes esses atos de guerra, que visam desestabilizar todo o Líbano e matar civis inocentes. A morte de um padre que se recusou a abandonar sua paróquia é mais uma escalada da violência sem sentido”, disse a organização.
O ataque ocorreu por volta das 14h, exatamente uma semana depois do início da intensificação dos bombardeios israelenses no sul do país.
“Houve um primeiro ataque, que atingiu uma casa perto de sua paróquia, nas montanhas, ferindo um dos paroquianos. O padre Pierre correu com dezenas de outros jovens para ajudar o paroquiano: foi quando houve outro ataque, outro bombardeio sobre a mesma casa. O pároco ficou ferido. Ele foi levado para um hospital local, mas morreu. Ele faleceu quase na porta do hospital. Ele tinha apenas cinquenta anos”, contou o padre Bou Merhi, pároco das comunidades latinas de Tiro e Deirmimas.
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Segundo o padre Bou Merhi, o padre El-Rahi era “verdadeiramente o apoio dos cristãos da região, especialmente quando permaneceram naquela terra, numa época de constantes avisos de evacuação por parte do exército israelense”.
Dor e medo na comunidade cristã
A morte do padre afetou profundamente a comunidade católica local, que já vivia sob crescente pressão devido ao conflito.
“Eles estão chorando pela tragédia e, ao mesmo tempo, com muito medo. Até então, as pessoas se recusavam a deixar suas casas nos povoados cristãos, mas, nesta situação, tudo mudou”, disse o padre Bou Merhi.
O padre explicou que deixar suas casas significa, para muitos, na prática, “ir morar nas ruas ou tentar alugar outra casa, mas as pessoas não têm condições para isso, especialmente considerando a já grave situação econômica do país”.
Crise humanitária e milhares de deslocados
O conflito também causou uma grave crise humanitária. O padre Bou Merhi informou que o convento franciscano em Tiro está abrigando cerca de 200 deslocados, todos muçulmanos.
“Nós os acolhemos. Quem tem necessidade de um abrigo, onde pode encontrá-lo nesta situação?”, perguntou.
Segundo o padre, só em Beirute há 500 mil deslocados internos, enquanto quase 300 mil deixaram o sul do país e milhares fugiram da região do Bekaa.
“As pessoas sabem o que estão deixando para trás — suas propriedades, suas casas, sua história — mas não sabem para onde ir. Há pessoas nas ruas, dormindo em carros. Não estávamos preparados para acolher quase um quarto da população”, disse ele.
Apesar das circunstâncias, o frade franciscano afirmou que as comunidades cristãs continuam tentando manter a esperança. “Dizemos e repetimos que a última coisa que não deve morrer em nós é a esperança no Senhor, que sempre nos dá forças para continuar”, disse
“Basta de guerras, basta de violência. As armas, como disse o Papa, não geram paz; geram massacres e ódio. Tudo o que pedimos é viver com um pouco de dignidade”, concluiu.

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