12 de mar de 2026 às 16:23
Depois de quase 900 anos de história, os monges trapistas podem deixar a Abadia de Nossa Senhora de La Trappe, na Normandia, um dos símbolos mais representativos da tradição cisterciense, fundada no século XII.
Os monges, pertencentes à Ordem Cisterciense da Estrita Observância também conhecida como Ordem Trapista, que segue a Regra de São Bento, informaram que estão considerando deixar o mosteiro por volta de 2028 por causa da “escassez de vocações e da carga cada vez maior que representa a propriedade das terras”.
Para os cerca de 20 irmãos que compõem a comunidade que fica em Soligny-la-Trappe, no noroeste da França, essa possível decisão significaria “o fim de uma era”, embora tenham destacado que a abadia não fechará suas portas nem está à venda no momento.
“Estamos em conversas com outras comunidades para encontrar soluções mais adequadas, com maior relevância econômica e espiritual. A situação tem sido difícil há várias décadas e muitas outras abadias já mudaram de mãos”, disseram em 6 de março.
“A partida dos irmãos, muito exigente e dolorosa para eles, será sem dúvida uma grande perda para todos os que estão ligados, às vezes por gerações, à comunidade”, acrescentaram.
Fiéis à tradição da Regra de São Bento, os monges têm uma hospedaria onde recebem os fiéis “como se fossem o próprio Cristo” e os acolhem para que possam experimentar um momento de solidão e reflexão em um ambiente de oração e paz, segundo o site da abadia.
Eles também têm uma loja onde vendem livros, artigos religiosos e doces ou produtos regionais artesanais feitos na abadia.
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“Um secularismo ideológico que está apodrecendo a alma do Ocidente”
Houve inúmeras reações de fiéis e membros da Igreja Católica, que expressaram seu choque ao saber da notícia.
Entre elas, a do bispo de Winona-Rochester, EUA, Robert Barron, que expressou sua tristeza com a possibilidade de os monges deixarem o histórico mosteiro.
Barron lembrou que esta é a “casa-mãe da Ordem Trapista”, uma reforma do movimento cisterciense e uma “forma particularmente intensa de vida beneditina, famosa por sua austeridade e silêncio”.
Ele também explicou que conheceu a abadia por meio do monge trapista Thomas Merton, teólogo e escritor americano, e disse que La Trappe “sobreviveu à Peste Negra, à Guerra dos Cem Anos, à Reforma Protestante, à Revolução Francesa e às guerras mundiais do século XX”.
“O fato de este venerável mosteiro não conseguir encontrar vocações suficientes para se sustentar é, na minha opinião, um sinal do desastre espiritual que assolou a Europa nos últimos cem anos: um secularismo ideológico que está apodrecendo a alma do Ocidente”, lamentou.
Diante dessa situação, o bispo pediu redobrar as orações para que os monges “encontrem uma maneira de preservar sua grande abadia. Agora, mais do que nunca, isso é necessário”.

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