13 de mar de 2026 às 14:25
O papa Leão XIV disse hoje (13) que cristãos que têm responsabilidades em conflitos armados devem fazer um sério exame de consciência.
“Será que os cristãos que têm grande responsabilidade nos conflitos armados têm a humildade e a coragem de fazerem um sério exame de consciência e se confessar?”, perguntou o papa aos padres dedicados ao ministério da confissão.
A audiência aconteceu no Vaticano durante um encontro com padres participantes do curso anual dedicado à formação de confessores, organizado pela Penitenciaria Apostólica. Esses cursos reúnem anualmente padres de todo o mundo para aprofundar sua compreensão da prática pastoral do sacramento da penitência.
O papa defendeu a importância do sacramento da reconciliação, ao qual atribuiu a missão de restaurar a “unidade interior” da pessoa.
Essa reconciliação, acrescentou, “gera a unidade interior da pessoa e a unidade com a Igreja; consequentemente, promove também a paz e a unidade na família humana”.
Para o papa, o ministério da confissão exige proximidade, escuta e a capacidade de acompanhar espiritualmente os fiéis, especialmente em um contexto marcado por tensões e conflitos.
Em um mundo que, segundo ele, vive um tempo de “fragmentação”, o papa disse que a reconciliação fomenta a unidade interior da pessoa, uma busca particularmente presente entre os jovens. As decepções causadas pelo “consumismo desenfreado” ou por “uma liberdade afastada da verdade”, podem se tornar “oportunidades de evangelização”, disse.
“Quando, na confissão sacramental, os penitentes se reconciliam com Deus e com a Igreja, a própria Igreja se edifica e se enriquece com a renovada santidade de seus filhos arrependidos e perdoados”, disse.
Muitos cristãos não recorrem à confissão
O papa Leão XIV lamentou que muitos batizados não recorram frequentemente ao sacramento da reconciliação e alertou que o “tesouro infinito da misericórdia” da Igreja corre o risco de ser desperdiçado.
Durante seu encontro com padres e candidatos ao sacerdócio que participam do curso anual para confessores organizado pela Penitenciaria Apostólica no Vaticano, o papa disse que, embora o sacramento possa ser recebido repetidamente, isso nem sempre se traduz em prática efetiva entre os fiéis.
“É como se o tesouro infinito da misericórdia da Igreja permanecesse ‘inutilizado’, por uma distração generalizada dos cristãos que, não raro, permanecem por muito tempo em estado de pecado, em vez de se aproximarem do confessionário, com simplicidade de fé e de coração, para acolher o dom do Senhor Ressuscitado”, disse.
O papa disse que a prática da confissão tem uma longa tradição normativa na Igreja. Ele citou o Quarto Concílio de Latrão, que estabeleceu em 1215 a obrigação de confessar-se pelo menos uma vez por ano, norma incluída no Catecismo da Igreja Católica: “Todo fiel, tendo atingido a idade da razão, é obrigado a confessar fielmente os seus pecados graves pelo menos uma vez por ano”.
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Durante o seu discurso, Leão XIV citou um ensinamento de santo Agostinho de Hipona: “Quem reconhece os seus pecados e os condena já está em acordo com Deus. Deus condena os teus pecados; e se tu também os condenas, estás em comunhão com Deus”.
Sacramento da reconciliação, um “laboratório da unidade”
O papa disse que o sacramento da reconciliação pode ser compreendido como um verdadeiro “laboratório da unidade”. “Restaura a unidade com Deus através do perdão dos pecados e da infusão da graça santificante”, disse.
Leão XIV dedicou parte de seu discurso a explicar como funciona o pecado que “não rompe a unidade entendida como a dependência ontológica da criatura em relação ao Criador”.
“Inclusive o pecador permanece totalmente dependente de Deus Criador. E essa dependência, quando reconhecida, pode abrir o caminho para a conversão”, disse o papa.
Pecado, virar as costas para Deus
O pecado “rompe a unidade espiritual com Deus”, porque é como “virar as costas para Ele”, disse.
“É um afastamento de Deus, e essa possibilidade dramática é tão real quanto o dom da liberdade que o próprio Deus concedeu aos seres humanos. Negar a possibilidade de que o pecado realmente rompa a unidade com Deus é, na realidade, desrespeitar a dignidade do homem, que é — e permanece — livre e, portanto, responsável por seus próprios atos”, acrescentou.
Leão XIV falou da importância do ministério da confissão. “Estejam sempre conscientes da nobre tarefa que o próprio Cristo, por meio da Igreja, lhes confia: reconstruir a unidade das pessoas com Deus através da celebração do Sacramento da Reconciliação”.
Segundo o papa, muitos sacerdotes alcançaram a santidade precisamente por meio deste ministério. Ele recordou exemplos como são João Vianney, são Leopoldo Mandić, são Pio de Pietrelcina e o beato Miguel Sopoćko.
“Somente uma pessoa reconciliada é capaz de viver de forma desarmada e desarmante”, disse. E citou a conhecida oração atribuída a Francisco de Assis: “Senhor, fazei de mim um instrumento da vossa paz”, disse.
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Antes de concluir, o papa exortou os sacerdotes a recorrerem regularmente ao sacramento: “Nunca deixem de se aproximar do sacramento do perdão com fiel constância, para que sejam sempre os primeiros beneficiários da misericórdia divina”.

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