Portal Paraíba-PB

Informação com credibilidade!

‘Em contato com Cristo, os olhos se abrem’

O papa Leão XIV exortou os fiéis a viverem uma «fé desperta», capaz de levar a luz do Evangelho às «trevas do mundo».

Na pregação da recitação do Ângelus, da janela do Palácio Apostólico, perante os peregrinos reunidos na praça de São Pedro, o papa refletiu sobre o episódio evangélico da cura do cego de nascença narrado no Evangelho de João (9,1-41). Segundo ele, o trecho encerra um profundo simbolismo sobre o «mistério da salvação».

«Enquanto estávamos na escuridão, enquanto a humanidade caminhava nas trevas, Deus enviou o seu Filho como luz do mundo para abrir os olhos dos cegos e iluminar a nossa vida», afirmou.

A fé não é uma renúncia à razão

O papa sublinhou que a fé cristã «não é um ato cego», uma renúncia «à razão» ou uma «disposição de certa convicção religiosa que nos leva a desviar o olhar do mundo». Pelo contrário, sustentou, «a fé ajuda-nos a olhar do ponto de vista de Jesus, com os seus olhos».

 «É uma participação na sua maneira de ver», explicou, citando Lumen fidei, a primeira encíclica do papa Francisco. «É por isso que Ele nos pede que abramos os olhos, tal como Ele fazia, sobretudo para os sofrimentos dos outros e para as feridas do mundo».

Segundo Leão XIV, «chama a atenção o fato de, durante séculos, ter-se difundido a opinião — ainda hoje presente — de que a fé seria uma espécie de ‘salto no escuro’, uma renúncia ao pensamento». «O Evangelho, pelo contrário, diz-nos que, em contato com Cristo, os olhos se abrem», afirmou.

O papa comentou que os profetas do Antigo Testamento tinham anunciado que o Messias abriria os olhos dos cegos, uma promessa que se cumpre plenamente em Jesus, disse.

Leão XIV afirmou que o relato evangélico convida os cristãos a olharem para o mundo com os olhos de Cristo e a não permanecerem indiferentes perante o sofrimento dos outros.

«Hoje, em particular, perante as numerosas questões do coração humano e as dramáticas situações de injustiça, violência e sofrimento que marcam o nosso tempo, é necessária uma fé desperta, atenta e profética, que abra os olhos perante as trevas do mundo e leve até lá a luz do Evangelho através de um compromisso de paz, justiça e solidariedade», afirmou.

Receba as principais de ACI Digital por WhatsApp e Telegram

Está cada vez mais difícil ver notícias católicas nas redes sociais. Inscreva-se hoje mesmo em nossos canais gratuitos:

 

«Um cristianismo de olhos abertos»

O papa disse que, de certa forma, todos os seres humanos são «cegos de nascença», porque, por si sós, não conseguem compreender plenamente o mistério da vida.

 

«Deus encarnou-se em Jesus para que o barro da nossa humanidade, amassado com o sopro da sua graça, receba uma luz nova, que nos torna capazes de ver finalmente Deus, os outros e a nós próprios na verdade», afirmou.

 

Ao concluir a sua reflexão, Leão XIV convidou os fiéis a viver um cristianismo que não feche os olhos perante a realidade «com simplicidade e coragem».

 

«Irmãos e irmãs, também nós, curados pelo amor de Cristo, somos chamados a viver um cristianismo de olhos abertos», disse ele.

FONTE: ACI Digital