18 de mar de 2026 às 16:11
O arcebispo de Abuja, Nigéria, Inácio Ayau Kaigama, solicitou ao presidente dos EUA, Donald Trump, recursos de inteligência e armamentos, e maior envolvimento dos países ocidentais, para combater a violência no país.
O bispo falava em coletiva de imprensa em Madri, Espanha, onde a fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) apresentou a campanha Que a Perseguição Não Tenha a Última Palavra. Curar a Nigéria.
Kaigama disse que o presidente dos EUA foi “o primeiro chefe de Estado a dizer, como líder mundial, de modo claro e inequívoco, que os cristãos na Nigéria estão sendo perseguidos”.
“Agradecemos, mas acreditamos que existam outros motivos ocultos”, disse o arcebispo, lamentando que por anos só entidades como a AIS tenham denunciado a situação, face ao silêncio dos países ocidentais.
“Fiquei contente quando ouvi Donald Trump dizer: Vamos para a Nigéria, vamos acabar com o Boko Haram”, disse Kaigama. “Mas no Natal recebemos um presente, que foi uma bomba que caiu em solo nigeriano, e para ser honesto, não sei dizer se adiantou alguma coisa”.
“Esse incidente, junto com as palavras de Donald Trump, inflamou enormemente os ânimos dos islamistas naquele território”, disse ele. “O número de ataques e sequestros perpetrados pelo Boko Haram e outros grupos tem aumentado desde então”.
O arcebispo Kaigama disse que, inicialmente, acolheram bem a condenação da violência por Trump, mas que, a longo prazo, isso se mostrou contraproducente: “Pensávamos que ele viria atacar a raiz do problema usando inteligência, equipamentos, tudo o que fosse necessário para erradicar o Boko Haram e viver em paz. Mas uma única bomba não adiantou muito. Pelo contrário, essas pessoas estão agora mais ousadas, atacando regularmente e piorando a situação”.
“Portanto, dizemos a Donald Trump: forneça-nos relatórios de inteligência, forneça-nos armas, coopere com o nosso governo e, em seguida, encontre uma maneira de erradicar todos esses grupos armados”, disse o arcebispo, que enviou uma mensagem aos líderes dos países ocidentais: “Parem de ignorar o que está acontecendo na África, especialmente na Nigéria”.
Existe um programa islamista para reduzir a presença cristã
Sobre a situação atual no país, o arcebispo a descreveu do seguinte modo: “A Nigéria está sangrando. A Nigéria está ferida. A Nigéria está sendo destruída por múltiplos fatores. E devemos pedir a Deus que nos ajude a curar a Nigéria”.
O arcebispo Kaigama denunciou que “existe uma estratégia deliberada para frustrar o crescimento da Igreja e também a expansão da evangelização na Nigéria”.
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Esse plano destrutivo envolve semear o pânico entre os fiéis: “Eles estão injetando medo nos leigos que se reúnem para celebrar a missa, bombardeando-os, atirando neles, ameaçando-os e impedindo-os de se reunirem. Há um programa deliberado dos islamistas para reduzir a presença cristã neste país”.
O arcebispo disse que “se isso continuar, corremos o risco de perder nossa fé e também de não sermos fortes o suficiente para promover a fé e a identidade de nossa Igreja”.
“Se eles nos deixarem sozinhos, adoecemos espiritual e mentalmente”, concluiu ele. “Estamos sofrendo”.
“Curar a Nigéria”
Na apresentação da campanha, José María Garrido, diretor da ACN Espanha, descreveu a situação extremamente difícil na Nigéria, onde, além das ações do terrorismo islâmico do grupo Boko Haram no norte do país, há as ações criminosas de grupos extremistas islâmicos de pastores da etnia fulani e quadrilhas de sequestradores.
Só entre 2015 e 2025, cerca de 200 padres foram sequestrados em 70% das dioceses. Desses, 183 foram libertados, 12 foram mortos e outros três morreram em decorrência das condições de cativeiro.
Cerca de 80 comunidades foram atacadas e há cerca de 3 milhões de deslocados internos no país devido à violência.
Para fortalecer a fé dos cristãos perseguidos, a ACN Espanha quer promover a construção de centros de assistência psicológica e espiritual nas dioceses de Makurdi e Abuja.
Foi planejada ajuda para um seminário em Kaduna, uma das dioceses mais afetadas por sequestros, para que um dos maiores celeiros de vocações da Igreja universal possa continuar funcionando apesar do medo e da escassez.
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A ACN Espanha pretende apoiar vários projetos de segurança, instalando sistemas de alarme em centros paroquiais e fornecendo veículos para que os padres possam servir as comunidades rurais sem o risco de serem sequestrados.
A ACN Espanha apoia a Igreja perseguida na Nigéria com contribuições crescentes nos últimos anos, ultrapassando € 3 milhões (cerca de R$ 17,9 milhões) no ano passado, valor que pretendem manter com a campanha Sana Nigeria.

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