A ex-deputada venezuelana María Corina Machado, que foi tornada inelegível por 15 anos pela ditadura chavista na semana passada, afirmou em entrevista publicada nesta quarta-feira (5) pelo jornal O Globo que a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o regime de Nicolás Maduro é “inadmissível” e que o Brasil perde credibilidade ao apoiar o ditador.
Recentemente, Lula causou indignação ao dizer que as
denúncias sobre violações de direitos humanos na Venezuela são uma “narrativa”
e que não chama o regime chavista de ditadura porque “o conceito de democracia
é relativo”.
Na entrevista ao Globo, Corina lamentou o fato de Lula não ter comentado sua inelegibilidade no encontro do Mercosul realizado esta semana. O tema foi abordado pelos presidentes do Paraguai e do Uruguai, Mario Abdo Benítez e Luis Lacalle Pou, respectivamente, que cobraram posições do bloco econômico sobre a Venezuela.
“Lula foi insistente em seu desejo de acompanhar um processo
de transição democrática por meio de eleições limpas, transparentes e
competitivas em 2024, mas na cúpula do Mercosul disse que não estava
devidamente informado, imagino que a esta altura já o estará. Dada sua
proximidade e amizade com Maduro, para os venezuelanos e para todos os
democratas do mundo, deve ficar clara qual é a posição de Lula sobre essa
aberração que cometeu Maduro”, disse Corina.
Na última sexta-feira (30), o deputado venezuelano José
Brito divulgou um documento da Controladoria-Geral da Venezuela, que confirmou
que María Corina Machado está impedida de concorrer a cargos eletivos por 15
anos.
O órgão da ditadura chavista alegou que a inelegibilidade de
Machado foi determinada após investigação patrimonial que apontou atos contra a
“ética pública, a moralidade administrativa, o Estado de Direito, a paz e a
soberania” da Venezuela.
Corina afirmou que se preocupa com o fato de Lula seguir sem
condenar a ditadura venezuelana, porque a “influência do Brasil na região e
fora dela é indiscutível”.
“Seja por razões de afinidade ideológica ou projetos em
comum, a posição de Lula é inadmissível a esta altura do jogo, com 25% da
sociedade venezuelana espalhados pelo mundo, milhares no Brasil; com uma
investigação sobre crimes de lesa-humanidade avançando no Tribunal Penal
Internacional; quando existem acusações bem documentadas na Justiça
internacional sobre corrupção, narcotráfico, lavagem de dólares e financiamento
do terrorismo; Maduro é tóxico”, disse Corina.
“Acho que o governo brasileiro pode contribuir de maneira significativa para uma transição pacífica na Venezuela, mas não botando panos quentes e justificando os crimes de Maduro. Assim, o Brasil perde autoridade moral frente aos demais atores democráticos para se tornar um interlocutor confiável. Não pode demonstrar esse nível de suposta ignorância”, criticou a oposicionista.
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