O primeiro-ministro da Holanda, Mark Rutte, anunciou nesta sexta-feira (7) que vai renunciar ao governo de centro-direita que ele lidera desde janeiro de 2022 devido à falta de acordo sobre política migratória, o que levará a eleições antecipadas, e disse que ainda precisa “pensar com calma” sobre se vai concorrer novamente.
Em uma entrevista coletiva após um conselho extraordinário
de ministros, Rutte garantiu que “todas as partes fizeram todo o possível para
encontrar uma solução, mas infelizmente as diferenças sobre migração são
intransponíveis” e confirmou que apresentará a renúncia do gabinete de governo
por escrito ao rei Willem-Alexander, que está de férias, mas se reunirá com ele
pessoalmente no sábado (8), porque ele retornará a Haia.
Rutte afirmou que “tem energia para continuar como líder do [partido
liberal] VVD”, embora tenha dito que precisa de “tempo para pensar com calma”
sobre se vai novamente disputar as eleições que deverão ser realizadas no
outono (primavera no hemisfério sul), de acordo com o Conselho Eleitoral.
Os quatro partidos de centro-direita de sustentação do atual
governo têm se desentendido nos últimos meses sobre como lidar com o fluxo de
refugiados no país, mas a situação ficou tensa na quarta-feira, quando Rutte
propôs um limite de 200 familiares de refugiados reagrupados por mês e um
período de espera de dois anos antes de poderem viajar para a Holanda, o que
gerou ampla rejeição do progressista D66 e da União Cristã.
No entanto, Rutte enfatizou na coletiva que a decisão de
romper o governo “foi unânime” e não foi forçada por nenhum partido em
particular.
“Não era segredo que os quatro partidos tinham opiniões
diferentes sobre essa questão”, disse.
A líder da União Cristã, Mirjam Bikker, declarou que, para
seu partido, “um dos valores mais importantes nas propostas é que as crianças
cresçam com seus pais, para que eles possam cuidar delas”.
“Apoiamos a intenção do primeiro-ministro de apresentar a renúncia
do atual gabinete ao rei”, acrescentou Bikker.
O líder do Apelo Democrata-Cristão, Pieter Heerma, quarto
parceiro do governo, classificou a queda do gabinete como “uma notícia muito
ruim para a Holanda” e criticou Rutte por ter dificultado a discussão com seus
parceiros nesta semana.
“Sua atitude foi irresponsavelmente dura, quase imprudente”
e não ajudou a controlar melhor a migração “nem aproximou o gabinete”,
declarou.
Na próxima segunda-feira (10), haverá um debate parlamentar para definir os próximos passos visando a formação de um novo governo.
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