O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse neste domingo (3), em Dubai, que espera “bom senso” da Venezuela e da Guiana para resolver o litígio entre os dois países sobre a região do Essequibo. A tensão diplomática entre os dois países ganhou força nas últimas semanas depois de a Assembleia Nacional venezuelana ter convocado um referendo não vinculativo sobre a disputa territorial, que será votado hoje.
“O que a América do Sul não está precisando é de confusão”, disse Lula a jornalistas em seu último dia na COP28 antes de embarcar para Berlim, onde começa neste domingo uma visita oficial. “Não se pode ficar pensando em briga. Espero que o bom senso prevaleça, do lado da Venezuela e do lado da Guiana”, acrescentou.
O presidente lembrou à imprensa que conversou com os presidentes dos dois países e comentou que o referendo provavelmente teria o resultado pretendido pelo presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Questionado se tem medo de uma guerra entre as duas nações, Lula respondeu que “a humanidade deveria ter medo da guerra” e defendeu a necessidade de diálogo.
“Se tem uma coisa que estamos precisando para crescer e para melhorar a vida do nosso povo é a gente baixar o facho, trabalhar com muita disposição de melhorar a vida do povo, e não ficar pensando em briga, não ficar inventando história”, ressaltou Lula.
O referendo que está sendo votado neste domingo na Venezuela consulta a população sobre a possibilidade de incorporar Essequibo – território de quase 160 mil quilômetros quadrados reivindicado por Caracas há mais de um século e que recentemente descobriu vastos campos de petróleo offshore – ao mapa nacional e conceder a nacionalidade venezuelana aos 125 mil habitantes da a área disputada.
A Venezuela acusa o presidente da Guiana, Irfaan Ali, de ignorar os múltiplos apelos de Maduro para “estabelecer um diálogo diplomático direto” para resolver a controvérsia. A Guiana alegou este mês que o tempo para uma negociação “se esgotou” e que confia no processo levado a cabo pelo Tribunal Internacional de Justiça (CIJ), que se declarou competente para decidir sobre o assunto.
Nos últimos dias, o Brasil reforçou sua presença militar na fronteira norte do país como resultado de tensões diplomáticas, uma vez que Roraima faz fronteira com a Venezuela e com a região do Essequibo.
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