11 de fev de 2026 às 11:15
O arcebispo de Baltimore, William Lori, exortou os católicos a cultivarem uma cultura política fundada em Cristo, priorizando a dignidade humana e o encontro autêntico em meio às divisões partidárias nos EUA.
“Na caridade e na verdade: rumo a uma cultura política renovada”, publicado em vistas ao 250º aniversário da Declaração de Independência, é uma das nove cartas pastorais e reflexões que Lori escreveu como arcebispo de Baltimore.
A carta de 9 de fevereiro explora como este aniversário pode ser “um momento de graça” e de “responsabilidade”.
Os EUA podem se orgulhar de suas conquistas e “do dinamismo de nossa fé católica”, ao mesmo tempo que reconhecem “as fraturas, feridas e crises que marcam tanto nossa vida nacional quanto, infelizmente, às vezes, nossa vida eclesial”, escreveu o arcebispo.
“À medida que nossa nação se aproxima do 250º aniversário da assinatura da Declaração de Independência, somos convidados a um momento de profunda reflexão e renovação”, disse.
“Os aniversários não são meramente ocasiões de nostalgia ou celebração. A memória autêntica sempre nos direciona para a renovação; chama-nos a considerar não apenas quem fomos e quem estamos nos tornando, mas, pela graça de Deus, quem somos chamados a ser”.
A carta se baseia nos ensinamentos dos papas, do Concílio Vaticano II, da Constituição e da vida dos santos.
O discurso político sob uma perspectiva católica
A carta ressalta o clima político nos EUA, destacando que “o discurso político se tornou mais agressivo do que o habitual”. Lori pediu escuta sinodal, virtude cívica e caridade patriótica — como a vivida pelo beato Michael McGivney — para renovar a vida pública com verdade, responsabilidade e esperança.
McGivney, fundador dos Cavaleiros de Colombo, serviu às famílias imigrantes e enfrentou a insegurança econômica e exclusão delas. O arcebispo Lori afirmou que a caridade autêntica, a unidade, a fraternidade e o amor patriótico devem guiar a forma como os católicos se relacionam com os migrantes e apoiam sua dignidade e inclusão.
Segundo o arcebispo, a polarização ideológica e cultural “produziu uma epidemia de solidão e isolamento: uma dolorosa sensação de estar sem raízes, incompreendidos ou não ouvidos”.
“A sinodalidade é, em sua essência, um compromisso de ouvir com humildade, falar com honestidade e discernir com o Espírito Santo, caminhando juntos, não separados. Essa unidade não significa uniformidade, nem elimina a discordância. Ao contrário, reflete uma verdade mais profunda: nossa comunhão em Cristo precede nossas diferenças”, escreveu.
Segundo Lori, a sinodalidade “não dissolve o desacordo. Ela o espera, porque pessoas diferentes inevitavelmente verão o mundo sob perspectivas diferentes”. A carta descreve como isso se manifesta na política: disposição renovada para ouvir, recusa em demonizar, compromisso com o discernimento e um caminho compartilhado.
O mundo também precisa de “um novo tipo de política: uma que comece não com o poder, mas com a verdade da pessoa humana revelada em Jesus Cristo”, afirmou. Essa política deve resistir à idolatria da ideologia, honrar a dignidade de toda a vida humana desde a concepção até a morte natural, proteger os vulneráveis e marginalizados, promover o diálogo em vez da acusação e colocar o bem comum acima da lealdade partidária.
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Uma “presença política católica madura” sempre defenderá a vida em todas as suas fases, lutará pelos pobres e vulneráveis, insistirá na justiça racial e social, promoverá a paz e rejeitará a violência, e defenderá a liberdade religiosa para todos.
Para construir uma cultura política melhor, “devemos aprender novamente a nos encontrar”, saindo de nossas zonas de conforto ideológicas, dialogando com aqueles que estão à margem ou que pensam diferente, curando as feridas que nos dividem e nos comprometendo com o perdão.
Virtudes na vida pública
Lori defendeu o uso das virtudes cardeais na vida pública para alcançar uma “participação política saudável”.
A prudência permite “avaliar as políticas não por slogans ou apelos emocionais, mas por seu impacto real na dignidade humana”.
A justiça é “fundamental para a vida política”, pois nos obriga a honrar a dignidade de cada pessoa e proteger seus direitos e responsabilidades.
A fortaleza “nos capacita a buscar o que é certo apesar do medo, intimidação ou dificuldades” e defender os vulneráveis, mesmo quando isso for politicamente inconveniente.
A temperança “modera nossos impulsos e nos ajuda a resistir aos excessos”; na política atual, é talvez a virtude mais necessária, convidando-nos a falar com cuidado, evitar julgamentos precipitados e não buscar “vencer” à custa da verdade ou do bem comum.
Renovação
Ante o 250º aniversário, o arcebispo Lori convidou todos os católicos e pessoas de boa vontade a se comprometerem com uma cultura política renovada e a responderem ao chamado da esperança.
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A carta conclui propondo “um caminho a seguir”: renovar a oração pela nação, praticar o diálogo civil, rejeitar o ódio e a violência, servir ao bem comum, formar as consciências e encontrar-se com aqueles que são diferentes.
“Em meio à agitação política, a Igreja não se retira da vida pública nem se alinha a nenhuma identidade partidária. Ela permanece como sempre foi: sacramento de unidade, farol de esperança e mestra da verdade”, afirmou.
“Sua missão não é vencer eleições, mas formar santos. Não é assegurar o poder, mas proclamar o Evangelho. Não é refletir as divisões da sociedade, mas curá-las”.
“Nossa nação precisa de católicos que encarnem essa missão: mulheres e homens cujas vidas testemunhem a dignidade de cada pessoa humana, cujo amor construa pontes, cuja coragem resista ao ódio e cuja fé afirme que o desespero não tem a última palavra. O cenário cívico pode, por vezes, parecer sombrio, mas a Igreja já superou tempos mais difíceis e emergiu mais forte, purificada e mais fiel. Nossa nação pode fazer o mesmo”.

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