27 de fev de 2026 às 13:27
O bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, em Campos (RJ), dom Fernando Rifan, disse que, embora os temas da Campanha da Fraternidade (CF) possam ser aproveitados para a política de viés socialista, “o abuso não impede o uso”.
A Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney foi criada em 2002 pelo papa são João Paulo II como uma circunscrição eclesiástica de caráter pessoal no território da diocese de Campos (RJ) para manter a liturgia antiga, a disciplina e os costumes tradicionais. Ela deriva da União Sacerdotal São João Maria Vianney, um grupo de padres que depois da promulgação do Missal de Paulo VI, em 1969, decidiu sob a liderança do então bispo de Campos, dom Antônio de Castro Mayer, manter o rito romano antigo.
Dom Fernando Rifan publicou em seu perfil no Facebook, em 24 de fevereiro, um artigo sobre a Campanha da Fraternidade, que este ano tem como tema “Fraternidade e Moradia” e lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). Segundo ele, este ano a campanha convoca “os fiéis a refletir sobre o direito à moradia digna como expressão da fraternidade”.
“Mas”, disse o bispo, “como pode acontecer e acontece, os temas da CF são às vezes aproveitados para tratar de política, de viés socialista e revolucionário, o que pode levar alguns a pensarem equivocadamente que a Igreja é assim”.
“Abusus non tollit usum, o abuso não impede o uso: pode-se usar de uma coisa boa em si, mesmo quando outros usam dela abusivamente”, acrescentou.
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Dom Fernando citou o número 28 da encíclica Deus caritas est, do papa Bento XVI, publicada em 2005. “A Igreja não pode nem deve tomar nas suas próprias mãos a batalha política… não pode nem deve se colocar no lugar do Estado. Mas também não pode nem deve ficar à margem na luta pela justiça. Deve inserir-se nela pela via da argumentação racional e deve despertar as forças espirituais, sem as quais a justiça… não poderá firmar-se nem prosperar”.
Segundo o bispo, a Campanha da Fraternidade é um convite “a um gesto concreto na área social” durante a Quaresma, “que vem a ser, pois, um grande instrumento para desenvolver o espírito quaresmal, que é de conversão, renovação interior e vida em comunhão, como preparação para a Páscoa, vivenciados na oração, no jejum e na esmola”.
Mas, ressaltou que “essa ação social não pode ocupar o lugar das obras espirituais e caritativas, nem se suplanta a elas, mas é o seu complemento”.
Dom Fernando disse que “a Campanha da Fraternidade tem como finalidade unir as exigências da conversão e da oração com algum projeto social, na intenção de renovar a vida da Igreja e ajudar a transformar a sociedade, a partir de temas específicos, tratados sob a visão cristã, convocando os cristãos a uma maior participação nos sofrimentos de Cristo, vendo-o na pessoa do próximo, especialmente dos mais necessitados da nossa ajuda”.

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