O Ministério Público da Paraíba (MPPB), em parceria com órgãos ambientais, forças de fiscalização e policiais, iniciou nesta segunda-feira (09) a Operação Caatinga Resiste, voltada ao enfrentamento do desmatamento ilegal no bioma. A ação ocorre simultaneamente em outros estados nordestinos e em Minas Gerais, integrando o projeto nacional coordenado pelo Ministério Público de Sergipe (MPSE) e pela Abrampa.
Os alvos da operação são propriedades privadas com áreas desmatadas sem autorização. As equipes utilizam imagens de satélite do MapBiomas, cruzadas com dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e das Autorizações de Supressão de Vegetação (ASVs), para subsidiar fiscalizações presenciais e remotas.
Apesar da redução de 9% no desmatamento em 2025, segundo o INPE/Deter, a Caatinga segue entre os biomas mais ameaçados. Entre 1985 e 2023, perdeu cerca de 8,6 milhões de hectares de vegetação nativa, o equivalente a 14,4% de sua cobertura original. Hoje, apenas 59,6% da vegetação nativa permanece preservada.
Além da supressão irregular de vegetação, a força-tarefa também apura crimes correlatos como grilagem de terras públicas, queimadas ilegais, fraudes em registros ambientais, falsidade ideológica, crimes contra a fauna silvestre, extração ilegal de minerais e porte ilegal de armas em contexto ambiental.
A promotora Aldeleine Barbosa, coordenadora nacional do projeto, destacou que a operação busca evitar a retomada do crescimento do desmatamento:
“A redução observada em 2025 é um sinal importante, mas ainda insuficiente diante do passivo ambiental acumulado. A operação fortalece a fiscalização e a proteção dos remanescentes mais preservados”, afirmou.
Na Paraíba, a promotora Cláudia Cabral, coordenadora do Centro de Apoio Operacional Meio Ambiente do MPPB, ressaltou a importância da ação:
“Nosso objetivo é fortalecer o combate ao desmatamento ilegal, identificar áreas críticas e atuar de forma articulada com os órgãos ambientais. A Caatinga é um bioma exclusivamente brasileiro e fundamental para a biodiversidade, para o equilíbrio climático e para a segurança hídrica do semiárido. Proteger a Caatinga é proteger o futuro ambiental da nossa região”, disse.
Ao final da operação, será apresentado um balanço consolidado com os resultados, incluindo extensão das áreas autuadas, número de procedimentos instaurados e valores de multas aplicadas.
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