11 de mar de 2026 às 15:19
O arcebispo de Teerã-Isfahan, cardeal Dominique Mathieu, foi retirado da capital iraniana por causa do confronto entre EUA e Israel, de um lado, e Irã. Ele chegou a Roma no fim de semana.
O cardeal belga de 62 anos, membro da Ordem dos Frades Menores Conventuais, tornou-se arcebispo do Irã em 2021 e foi criado cardeal pelo papa Francisco em 2024.
Depois de viajar a Roma em janeiro passado para participar do consistório convocado pelo papa Leão XIV no Vaticano, Mathieu voltou a Teerã, determinado a não abandonar seu rebanho apesar dos protestos antigovernamentais em curso, das ameaças dos EUA e de Israel contra o regime e de sua própria recuperação de graves problemas de saúde.
Mathieu é o único sacerdote em sua arquidiocese. A Igreja Católica no Irã tem cerca de 2 mil membros, a maioria dos quais não são iranianos, em uma população de aproximadamente 90 milhões, predominantemente muçulmana xiita. Os fiéis do rito latino pertencem a quatro igrejas paroquiais: três em Teerã e uma em Isfahan.
O fechamento da embaixada italiana obrigou a sua partida.
A residência do cardeal fica dentro do complexo da Embaixada da Itália em Teerã, que também abriga a catedral arquidiocesana. Depois da decisão da Itália de fechar a embaixada e transferir a equipe para o Azerbaijão, o arcebispo decidiu partir junto com a missão diplomática. Do Azerbaijão, ele voou para Roma.
A embaixada italiana no Irã fica a cerca de 1,9 km de onde o Líder Supremo do país, Ali Khamenei, foi alvo de um ataque aéreo israelense no primeiro dia da guerra, sábado (28), que o matou junto com dezenas de outras pessoas
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O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, revelou na semana passada que a embaixada em Teerã fecharia temporariamente por “razões de segurança” e que a equipe seria transferida para Baku, Azerbaijão, segundo a agência de notícias italiana ANSA. Tajani esclareceu que a Itália não está rompendo relações diplomáticas com Teerã.
Mathieu disse ao site de notícias católico belga Cathobel que deixou o Irã com tristeza e pesar por seus irmãos e irmãs naquele país. Ele disse que espera voltar e pede orações para que os corações encontrem paz interior.
O cardeal Claudio Gugerotti, prefeito do Dicastério para as Igrejas Orientais, falou da partida de Mathieu do Irã à EWTN News. Ele explicou que todas as embaixadas estão aconselhando estrangeiros a deixarem o país devido à imprevisibilidade da situação.
Gugerotti disse: “Bombardear certas áreas específicas é uma coisa, mas pelo que ouvimos, eles também estão bombardeando as principais cidades iranianas”.
A guerra entrou hoje (11) em seu 12º dia, com ações militares continuando por todo o Oriente Médio e ameaças trocadas entre as partes envolvidas.
A ACI MENA, serviço em árabe da EWTN News, apurou que muitos fiéis católicos no Irã — diplomatas, funcionários e estudantes — deixaram o país quando a guerra começou.
Atualmente, quatro freiras das Filhas da Caridade permanecem no país: três em Teerã, em um lar de idosos com cerca de 20 residentes, e uma em Isfahan, que anteriormente trabalhava em uma colônia de leprosos.

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