13 de mar de 2026 às 09:16
São José “nos mostra que presença e cuidado são dimensões inseparáveis: não se cuida sem estar presente, e não se está presente sem assumir a responsabilidade pelo outro”, disse o papa Leão XIV na audiência de ontem (12), no Vaticano, com participantes do encontro cultural Cátedra da Acolhida, criado pela associação Fraterna Domus e outras entidades eclesiásticas.
O papa disse que a vocação cristã “está orientada para gerar comunhão entre as pessoas”, que “nasce da capacidade de acolher os outros, oferecendo escuta, hospitalidade e assistência”.
“No coração de todo acolhimento autêntico, de fato, está uma relação que nasce da graça de um encontro”, disse.
Presença e cuidado com os jovens
Leão XIV voltou sua atenção para os jovens. Para ele, os jovens não são apenas o futuro da sociedade e da Igreja, mas também “constituem o seu presente vivo e gerador”, especialmente em um tempo marcado por transformações sociais e culturais.
As perguntas e preocupações deles “convidam-nos a renovar o estilo de nossas relações”, disse o papa
“Acolher os jovens significa, antes de tudo, colocar-se à escuta de suas vozes, cruzar seus olhares e reconhecer que, em suas existências e em suas linguagens, o Espírito continua a agir e a sugerir caminhos renovados de presença e cuidado”, continuou.
Para o papa, a família, a paróquia, a escola, a universidade e o local de trabalho “são espaços privilegiados de identidade cuja tarefa primordial se define precisamente pela presença”.
“Estar presente na vida dos outros significa compartilhar tempo, experiências e significados, oferecendo pontos de referência estáveis nos quais os outros possam se reconhecer e crescer”, acrescentou.
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“Não é Ele que se perdeu, mas nós que nos afastamos”
À luz da Sagrada Família de Nazaré, ele disse que “toda comunidade acolhedora pode redescobrir sua própria vocação e aprender a se orientar no caminho do serviço”.
“Isso também acontece na vida de fé: Damos como certa a presença de Jesus em nossa existência, até que, de repente, parece que Ele não está mais onde o havíamos deixado. Sentimos um senso de desorientação. Na realidade, não é Ele que se perdeu, mas nós que nos afastamos”, disse.
Quando isso acontece, o papa disse que é preciso “procurá-lo com confiança, com a coragem de percorrer caminhos inexplorados, olhando o mundo com olhos novos, cheios de esperança”.
“Procurar Jesus significa, portanto, passar da segurança de nossas convicções à responsabilidade do encontro, aprendendo a ver e acolher a presença de Deus, que está sempre além”, disse.
Ele disse que, seguindo o exemplo de são José, “cuidar significa estar atentamente ao lado do outro, respeitar suas decisões e assumir a responsabilidade por elas. Essa atitude pertence, sobretudo, a Deus, a quem a Bíblia apresenta como guardião do seu povo”.
A família humana é chamada a “preservar aquilo que lhe foi confiado: as relações, a criação, a vida das irmãs e dos irmãos, sobretudo daqueles que sofrem e são mais frágeis”, disse.
O cuidado e a presença “podem ser duas luzes que guiam o caminho para uma atitude acolhedora, capaz de abrir caminhos para a santidade, numa perspectiva que nunca é autorreferencial, mas sempre relacional e fraterna”, concluiu.

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