O novo capítulo da disputa entre a Venezuela e a Guiana pela soberania sobre a região do Essequibo tem dividido as potências mundiais.
Por um lado, os EUA já mobilizaram forças em apoio ao governo de Georgetown, enviando tropas para a prática de exercícios militares conjuntos. Por outro, o ditador Nicolás Maduro combinou uma visita diplomática em Moscou a Vladimir Putin, para discutir novas frentes de cooperação entre os países. O encontro seria na semana passada, mas foi adiado.
No meio dessa movimentação geopolítica, a China, que tem se mantido oficialmente neutra diante de outros conflitos ao redor do mundo, como no Oriente Médio e no leste europeu, se vê no desafio de se posicionar sobre o impasse do Essequibo, uma vez que seus interesses econômicos na América do Sul estão em jogo.
A grande diferença desta guerra para o ditador Xi Jinping, em comparação às outras que ocorrem ao mesmo tempo, é que ambos os lados – tanto Venezuela quanto a Guiana – possuem relações comerciais importantes com Pequim, tornando qualquer intervenção um obstáculo.
A China é a principal credora e parceira econômica do regime de Nicolás Maduro há décadas. Atualmente, Pequim possui empréstimos totalizando cerca de US$ 50 bilhões (R$ 245 bilhões na cotação atual), que estão sendo pagos principalmente com remessas de petróleo, considerando as vastas reservas venezuelanas.
Contudo, nos últimos anos, o governo da Guiana tem fortalecido de forma significativa os acordos comerciais no mesmo setor com o país de Xi, principalmente após o “boom” do petróleo no Essequibo, que elevou drasticamente o PIB guianense e aproximou novos investidores, incluindo a China National Offshore Oil Company (CNOOC), que adquiriu 25% de participação no consórcio de exploração do recurso natural, majoritariamente liderado pela empresa americana ExxonMobil. Entre 2018 e 2022, o comércio bilateral entre os dois países cresceu 213%.
Em novembro, a CNOOC iniciou atividades de extração utilizando navios de armazenamento e trabalhando na operação de 41 poços submarinos na região. O regime chinês controla 70% das ações da empresa.
A Guiana também integra a lista de países beneficiados por projetos de infraestrutura patrocinados pela China em outros continentes O pequeno país sul-americano possui instalações de empresas ferroviárias e rodoviárias, de telecomunicações, serviços aéreos e engenharia portuária chinesas.
Mantendo o tom de neutralidade, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da ditadura chinesa, Wang Wanbin, afirmou durante um pronunciamento sobre a disputa que os dois lados devem resolver suas diferenças por meio de “consultas amigáveis”. Apesar dos riscos que uma guerra poderia trazer aos seus investimentos, até o momento não houve qualquer sinal de intervenção mais direta da China no conflito.
Outra questão que prejudica uma mobilização de Xi Jinping é o forte envolvimento da Casa Branca com países da América do Sul. Com isso, se intrometer em disputas regionais não prioritárias para o país se torna inviável, apesar dos riscos de interferência nos investimentos do petróleo do Essequibo.
A princípio, Pequim concentra seus esforços em pacificar a relação entre os dois parceiros comerciais, a fim de evitar uma alta dos preços de petróleo e não agravar sua situação econômica, que desacelerou com a pandemia. O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta um crescimento de 5,4% da economia chinesa para este ano.
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