Pesquisa nacional aponta que municípios menores e menos urbanizados tendem a apresentar maior participação partidário-eleitoral. Índice reúne dados sobre votação, jovens eleitores e filiação partidária
Cidades menores e menos urbanizadas apresentam, em geral, níveis mais elevados de participação partidário-eleitoral no Brasil. É o que aponta o Índice da Participação Partidário-Eleitoral nos Municípios Brasileiros (IPar-Eleitoral), lançado pelo Observatório Participa, projeto ligado ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) Participa.


O estudo utiliza dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) referentes às eleições de 2024 e permite analisar a relação da população com as instituições eleitorais e partidárias em cada município brasileiro — incluindo os 223 municípios da Paraíba.
O índice considera três dimensões de participação: comparecimento às urnas, alistamento eleitoral voluntário de jovens de 16 e 17 anos e filiação partidária.
De acordo com o levantamento, a participação tende a ser maior em municípios de pequeno porte. Entre as hipóteses levantadas pelos pesquisadores está a maior proximidade entre população, lideranças políticas e instituições nesses locais.
A explicação é que, em cidades menores, a política costuma fazer parte de maneira mais direta do cotidiano dos moradores. As relações pessoais entre eleitores, candidatos, partidos e lideranças são mais próximas, o que pode estimular o envolvimento político.
Como a Paraíba aparece no estudo
A metodologia do IPar-Eleitoral permite comparar os municípios paraibanos entre si e também com cidades de outras regiões do país.
O levantamento é especialmente relevante para a Paraíba, que possui uma forte presença de municípios de pequeno porte. Dos 223 municípios paraibanos, grande parte possui população inferior à de grandes centros urbanos, cenário que, segundo a pesquisa nacional, está associado a níveis maiores de participação partidário-eleitoral.
Os dados oficiais do eleitorado paraibano são disponibilizados pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB), que mantém estatísticas eleitorais por município e zona eleitoral.
O IPar-Eleitoral, no entanto, não considera apenas quem comparece às urnas. O índice também leva em conta a disposição dos jovens de 16 e 17 anos de tirar voluntariamente o título de eleitor e o grau de filiação partidária da população.
Participação não significa apenas votar
A proposta do índice é justamente ampliar a compreensão sobre a participação política. Para os pesquisadores, olhar apenas para o comparecimento eleitoral não seria suficiente para entender como os cidadãos se relacionam com a política.
Um município pode, por exemplo, apresentar elevada presença nas urnas, mas baixa filiação partidária ou pouca participação entre os eleitores mais jovens.
Por isso, o IPar-Eleitoral combina as três dimensões para produzir uma medida comparável entre os municípios brasileiros.
Municípios menores x grandes centros
Os resultados nacionais apontam uma diferença importante entre cidades pequenas e grandes centros urbanos.
Enquanto municípios de pequeno porte aparecem entre os que apresentam maior participação, as cidades mais populosas do país registram índices proporcionalmente menores.
O estudo cita Oliveira de Fátima (TO), com 1.164 habitantes, que alcançou 100 pontos, e Grupiara (MG), com 1.392 habitantes, que chegou a 97,7 pontos.
Na outra extremidade aparecem São Paulo, com 10,6 pontos, e Rio de Janeiro, com 6 pontos.
A pesquisa também aponta diferenças regionais. O Norte apresenta a maior média de participação partidário-eleitoral, enquanto estados do Sudeste ficam abaixo da média nacional.
Por que cidades pequenas participam mais?
Os pesquisadores ainda consideram necessário aprofundar as investigações para explicar completamente o fenômeno.
Uma das hipóteses é justamente a maior proximidade existente nos municípios menores.
Em cidades pequenas, escolhas políticas individuais tendem a ser mais visíveis e podem sofrer maior influência das relações familiares, comunitárias e sociais. A proximidade também pode aumentar a cobrança e o envolvimento dos moradores com a política local.
Isso não significa, entretanto, que o tamanho de uma cidade determine automaticamente o grau de participação de seus habitantes.
Índice não mede a qualidade da democracia
Os responsáveis pelo levantamento fazem uma ressalva importante: o IPar-Eleitoral não pretende avaliar a qualidade da democracia nos municípios brasileiros nem medir todas as formas existentes de participação política.
O objetivo é oferecer uma medida comparável da relação da população com as instituições eleitorais e partidárias.
O índice permite, portanto, observar diferenças entre municípios e criar novas perguntas sobre os fatores que estimulam ou reduzem a participação política.
Dados podem ser consultados por município
O material do IPar-Eleitoral está disponível para consulta pública no site do INCT Participa. O projeto apresenta dados municipais e permite explorar o comportamento eleitoral e partidário nos diferentes municípios brasileiros.
Na Paraíba, a ferramenta abre a possibilidade de comparar os 223 municípios do Estado e identificar como cidades pequenas, médias e os maiores centros urbanos se comportam nas diferentes dimensões analisadas pelo índice.
Fonte: Observatório Participa/INCT Participa, com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
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