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Mutirão recolhe 4,5 mil bitucas de cigarro e 45 kg de resíduos na Praia de Manaíra

Uma ação de limpeza realizada neste sábado (19) retirou 45 quilos de resíduos da Praia de Manaíra, em João Pessoa. Entre o material recolhido estavam 4,5 mil bitucas de cigarro, embalagens de produtos, redes de pesca e até uma pinça cirúrgica.

A mobilização foi promovida pelo projeto de extensão “Mares Sem Plástico”, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), e contou com a participação de 83 voluntários. Durante três horas, das 8h às 11h, o grupo percorreu cerca de quatro quilômetros do litoral.

A atividade integrou a programação do Dia Mundial de Limpeza de Rios e Praias, celebrado anualmente no terceiro sábado de setembro, e teve como foco chamar a atenção para o descarte irregular de resíduos e seus impactos sobre os ambientes marinhos e costeiros.

Segundo a professora Cláudia Cunha, responsável pelo projeto, as ações realizadas em datas do calendário ambiental são utilizadas para mobilizar voluntários e ampliar a conscientização sobre a preservação dos ecossistemas.

“Como um projeto institucional da UFPB, nós atuamos em dias comemorativos dentro do calendário do Ministério do Meio Ambiente para promover essa sensibilização, essa mobilização de voluntários”, explicou.

Para o voluntário Daniel Machado, a preservação das praias depende da participação da sociedade. “A praia é um ecossistema importantíssimo para todos nós, e é dever nosso, assim como de todo cidadão, cuidar e preservar desse ecossistema maravilhoso”, afirmou.

Plástico e microplásticos

Durante o mutirão, a equipe também orientou os participantes sobre o processo de degradação dos materiais plásticos descartados no meio ambiente. De acordo com Cláudia Cunha, esses resíduos podem se fragmentar em partículas cada vez menores, dando origem aos chamados microplásticos e nanoplásticos.

“Ocorre a degradação desse plástico em tamanhos maiores para tamanhos menores, indo para escalas inclusive invisíveis, que não são vistas a olho nu, mas que estão presentes, que são os micro e nanoplásticos”, explicou.

A professora alerta que a presença desses materiais não se restringe aos oceanos e praias. Segundo ela, partículas de plástico já podem ser encontradas na água, nos alimentos, no ar e no próprio corpo humano.

“Eles já estão no nosso corpo. O plástico hoje é um material onipresente, que quer dizer que ele está em qualquer lugar, na água que consumimos, nos alimentos, no ar que respiramos e também no nosso corpo. Então, os danos e os prejuízos não são apenas nos ambientes aquáticos”, disse.

Parte dos resíduos recolhidos nas ações do projeto é encaminhada ao Laboratório de Estudos em Química Ambiental da UFPB. O material passa por triagem e catalogação e é utilizado tanto em pesquisas quanto em atividades de educação ambiental.

Entre os resíduos armazenados estão bitucas de cigarro, redes de pesca e embalagens de medicamentos. O material também serve de base para estudos sobre microplásticos e seus impactos sobre animais marinhos.

Projeto atua desde 2019

Criado em 2019, o “Mares Sem Plástico” realiza ações em diferentes praias do litoral paraibano com o objetivo de conscientizar a população sobre o descarte de resíduos e os impactos da poluição nos ambientes marinhos.

De acordo com a equipe, aproximadamente cinco toneladas de resíduos já foram recolhidas pelo projeto desde o início das atividades.

Além das ações de limpeza, o projeto desenvolve pesquisas em laboratório e atividades de educação ambiental. Nesta edição, participaram voluntários de um grupo de escoteiros, da Comissão de Gestão Ambiental da UFPB, de organizações não governamentais e de um hotel.

Para a coordenação do projeto, a continuidade das ações é importante não apenas pela retirada dos resíduos das praias, mas também pelo caráter educativo das mobilizações e pela possibilidade de aproximar a população das discussões sobre conservação ambiental.

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FONTE: PB AGORA