Deu e continua dando o que falar a atitude de Lula da Silva em relação à bandeira brasileira após votar. Afinal, ele jogou a bandeira ou simplesmente a entregou a um de seus assessores?
Para muitos brasileiros, especialmente entre os eleitores de direita e, principalmente, os bolsonaristas, a bandeira tornou-se um símbolo quase sagrado. Por isso, cada gesto de Lula é observado, filmado, analisado e, muitas vezes, interpretado nos mínimos detalhes.
Nesse episódio, porém, é preciso separar o fato da interpretação. Como ficou demonstrado pelas imagens, Lula não jogou a bandeira no chão. Ele a entregou a um assessor. O que provocou a controvérsia foi a maneira como fez isso: um gesto rápido, aparentemente sem maior cuidado ou solenidade.
Talvez esteja aí a verdadeira razão da reação. Não foi propriamente o ato de entregar a bandeira, mas a forma como ela foi entregue. O gesto transmitiu, para seus críticos, algo parecido com um simples: “Tome e guarde”, sem demonstrar a deferência que muitos esperam diante de um dos principais símbolos nacionais.
A pressa, como diz o velho ditado, é inimiga da perfeição. Em tempos de redes sociais, porém, ela também pode ser inimiga da imagem pública. Um gesto de poucos segundos é suficiente para produzir horas de discussão e interpretações políticas.
Creio que foi justamente a forma da entrega que incomodou muitos bolsonaristas. E, no atual ambiente político brasileiro, todo cuidado é pouco. A direita, ao longo dos últimos anos, colocou a bandeira, o Hino Nacional e outros símbolos do país no centro de sua mobilização política. Essa pressão também contribuiu para que o PT e seus aliados passassem a demonstrar maior atenção pública a esses símbolos.
No fim das contas, Lula não jogou a bandeira no chão. Mas, na política, não basta considerar apenas o que se faz. A maneira como se faz também comunica e, às vezes, um pequeno gesto produz uma grande controvérsia.
Elcio Nunes
Cidadão Brasileiro
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