Nos últimos anos, desde as grandes manifestações de julho de 2011, o regime cubano tem aumentado a vigilância e repressão à religião na ilha. Em 2023, foram registradas mais de 600 violações contra líderes religiosos e adeptos de alguma fé, segundo a organização Christian Solidarity Worldwide, que atua em nome dos que são perseguidos por suas crenças.
Ao todo, foram documentados 622 casos de perseguição por causa da religião no último ano, o que evidencia o uso de táticas linha dura da ditadura de Miguel Díaz-Canel para controlar manifestações que possam revelar a corrupção e a má gestão de seu governo comunista.
A ilha caribenha manteve um elevado nível de incidentes, semelhantes aos 657 casos notificados em 2022, e muito acima do que foi registrado em 2021, com 272 casos expostos pela Christian Solidarity Worldwide, sediada no Reino Unido.
O novo relatório da organização destaca principalmente o uso do poder estatal contra os religiosos, enfatizando a legislação repressiva e violações sistemáticas dos direitos humanos cometidas contra a população que afetaram líderes religiosos e congregações de várias religiões, incluindo grupos afro-cubanos, testemunhas de Jeová, protestantes e católicos.
Desde os massivos protestos de 11 de julho de 2021 contra a ditadura, Canel intensificou suas medidas combativas a opositores, sejam políticos ou civis, visando principalmente grupos e líderes religiosos com uma legislação cada vez mais dura. Tanto as associações religiosas registadas como as não registadas estão sujeitas à constante vigilância, repetidos interrogatórios e ameaças destinadas a sufocar suas atividades.
As conclusões do documento revelam que um dos ambientes mais afetados pela mão dura do regime comunista é o sistema prisional, onde religiosos atuam no apoio espiritual ou material aos presos políticos e suas famílias.
De acordo com o relatório, as comunidades que tentaram responder às necessidades humanitárias dessas pessoas se tornaram cada vez mais assediadas, foram multadas e, em muitos casos, viram a ajuda que tentavam distribuir confiscada pela ditadura. Ainda, o regime começou a vetar a visita de líderes religiosos aos presos políticos.
Cuba integra a lista do Departamento de Estado dos EUA como um “país de particular preocupação” em relação à liberdade religiosa. Outros países que também fazem parte dessa listagem estão a China, a Eritreia, o Irã, a Coreia do Norte e a Birmânia.
Além dos adeptos de alguma fé, toda a população de Cuba enfrenta há mais de três anos uma grave crise generalizada, marcada pela falta de bens e serviços básicos, como alimentos e energia. Diante disso, buscam manifestar seu descontentamento com a ditadura nas ruas, no entanto os atos sempre sofrem repressão, como ocorreu neste domingo (17), quando centenas de cubanos protestaram contra a crise do país e tiveram os serviços de internet cortados para as informações não se espalharem pela ilha e fora.
As grandes manifestações de 2011 foram marcantes para evidenciar as péssimas condições de vida impostas pelo regime comunista cubano. No entanto, desde aquela data, Díaz-Canel tem utilizado a violência e as detenções arbitrárias como escudo para manter o país afundado na miséria e sem a voz da oposição.
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