Portal Paraíba-PB

Informação com credibilidade!

Relação diplomática entre Santa Sé e Brasil ressalta a longevidade de uma amizade autêntica, diz Leão XIV

A celebração do bicentenário das relações diplomáticas entre a Santa Sé e o Brasil “ressalta a longevidade de uma amizade autêntica, que soube adaptar-se às grandes transformações sociais e políticas ocorridas tanto no país quanto no mundo, evidenciando a robustez deste vínculo”, disse o papa Leão XIV em uma carta lida hoje (3) pelo núncio apostólico no Brasil, dom Giambatistta Diquattro, durante a sessão solene em homenagem ao bicentenário das relações diplomáticas entre a Santa Sé e o Brasil, no plenário Ulysses Guimarães, na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF).

“Continuem os laços diplomáticos que nos unem a garantir aquela liberdade religiosa da qual a Igreja desfruta no amado Brasil e que constitui um dos pilares irrenunciáveis de toda democracia plenamente consolidada”, disse o papa.

Para Leão XIV, esta celebração “oferece igualmente a oportunidade de recordar o empenho diligente – e muitas vezes silencioso – de diplomatas e eclesiásticos que, desde 1826, sucedendo a monsenhor Francisco Corrêa Vidigal e dom Pietro Ostini, contribuíram para alicerçar uma relação tão profunda e vigorosa”. Segundo ele, “a tradição diplomática que caracteriza a nação brasileira é marcada, já nos seus inícios, pelo respeito à fé católica transmitida de geração em geração no seio do povo”.

Leão XIV destacou em sua mensagem “que o fim da interdependência jurídico-religiosa entre Igreja e Estado não significou a ruptura ou o enfraquecimento das relações, mas sim o aperfeiçoamento de uma parceria que se mostrou firme e enriquecedora para ambas as partes”.

“Ao festejar este bicentenário, é oportuno assinalar que, nas mudanças de época e até nos períodos mais desafiadores, Brasil e Santa Sé permaneceram ao lado daqueles que defendiam os princípios fundamentais da dignidade humana, atuando em diversas frentes para afirmar a relevância essencial do diálogo e da diplomacia multilateral na construção de um mundo mais justo para todos”, disse Leão XIV. Ele destacou que “esta trajetória conjunta, que não se distingue por ser apenas uma aliança institucional, significa um compromisso recíproco com a promoção da paz e da concórdia, o socorro aos mais pobres e desvalidos e o cuidado com a nossa casa comum, demonstrando a consciência de uma responsabilidade que ultrapassa fronteiras e circunstâncias conjunturais”.

Leão XIV disse que deseja que “a comemoração” desse bicentenário “possa, lembrando o passado, inspirar um futuro de colaboração ainda mais profícua”.

“Faço votos, outrossim, que esta comunhão prossiga traduzindo-se em manifestações concretas da sua solidez, tal como aconteceu no ano de 2008, com a assinatura do Acordo entre a Santa Sé e o Brasil” porque “o bicentenário que estamos comemorando confirma que a Santa Sé tem no Brasil um parceiro privilegiado para alcançar estes propósitos”.

“Como penhor dos mais abundantes favores celestiais, invoco a intercessão de Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, e concedo de bom grado a toda a população brasileira, especialmente a quantos participam nessa sessão solene, a bênção apostólica”, finalizou o papa.

Acordo Brasil-Santa Sé representa maturidade da relação diplomática

O arcebispo de Brasília, cardeal Paulo Cezar Costa, esteve na sessão solene em homenagem ao bicentenário das relações diplomáticas entre a Santa Sé e o Brasil. Ele disse que “a assinatura do Acordo Brasil-Santa Sé em 13 de novembro de 2008, representa o momento de maturidade e solidez dessa relação”.

“Se a separação entre Igreja e Estado num primeiro momento teve seus traumas, o acordo representa a verdadeira laicidade do Estado e a consolidação da liberdade religiosa, onde o Estado brasileiro se apresenta como aquele que não é inimigo da religião, uma laicidade positiva do Estado, nem hostil a esta, mas dá as condições para que as religiões possam exercer suas atividades com liberdade”, disse Costa.

O cardeal disse “que o papa Bento XVI, na sua primeira carta encíclica Deus caritas est, afirma que pertence à estrutura fundamental do cristianismo, a distinção entre o que é de César e o que é de Deus”.

Receba as principais de ACI Digital por WhatsApp e Telegram

Está cada vez mais difícil ver notícias católicas nas redes sociais. Inscreva-se hoje mesmo em nossos canais gratuitos:

“Isto é a distinção entre Igreja e Estado”, disse dom Paulo Cezar, acrescentando que Bento XVI disse que “o Estado não pode impor a religião, mas deve garantir a liberdade da mesma e a paz entre os aderentes das diversas religiões”. “Por sua vez, a Igreja, como expressão social da fé cristã, tem a sua independência e vive, a sente na fé a sua forma comunitária que o Estado deve respeitar”.

“As duas esferas são distintas, mas sempre em recíproca relação. A recíproca relação e colaboração ajuda a sociedade a crescer, pois o Estado sozinho não pode responder a todas as necessidades do seu povo”, frisou

A diplomacia pontifícia é a expressão da própria catolicidade da Igreja

O arcebispo de Porto Alegre (RS), cardeal Jaime Spengler, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), também participou da sessão solene na Câmara dos Deputados. Ele recordou que o papa Leão XIV disse em seu primeiro discurso ao corpo diplomático que “a comunidade diplomática representa toda a família dos povos, partilhando as alegrias e as tristezas da vida, bem como os valores humanos e espirituais que a animam”.

“A diplomacia pontifícia é realmente expressão da própria catolicidade da Igreja e na sua ação diplomática, a Santa Sé animada por uma urgência pastoral que a impele a intensificar a sua missão evangélica ao serviço da humanidade, não a procurar privilégios”, disse Spengler. Ele destacou que “a diplomacia da Igreja não nasce da busca de vantagens políticas, mas de uma visão ética e espiritual da história na qual o diálogo prevalece sobre o conflito, a paciência sobre a opressão, a esperança sobre o pessimismo e a consciência sobre o interesse imediato”.

Segundo o cardeal, “a Santa Sé muitas vezes escolheu e escolhe o caminho silencioso e humilde da Palavra, do diálogo, mesmo quando poderia reivindicar outra coisa”, mas “confiando no fato de que a verdade possui uma força própria capaz de agir ao longo do tempo. Em dois séculos de relações entre a Santa Sé e o Brasil”.

“O Brasil não encontrou na Igreja uma potência estrangeira, mas uma companheira de viagem que se mostrou atenta às feridas e necessidades sociais aos desafios educativos, há necessidade de cooperar na promoção do bem comum da justiça e da paz”, enfatizou o presidente da CNBB.

Uma colaboração respeitosa e construtiva

O enviado especial do papa Leão XIV para as comemorações do bicentenário das relações diplomáticas entre a Santa Sé e o Brasil, cardeal Lorenzo Baldisseri disse que “os 200 anos de relações diplomáticas coroadas pelo acordo de 2008 simboliza esta maturidade” que “projeta para o futuro de uma colaboração respeitosa e construtiva” para “a construção de uma sociedade mais justa, solidária, comprometida com a dignidade da pessoa humana”.

 Segundo Baldisseri, esta celebração “constitui um momento privilegiado não só para comemorar, mas também para revisitar a história comum entre a Igreja e o Estado, e a nação brasileira”.

“O bicentenário das relações diplomáticas entre Brasil Santa Sé é uma preciosa ocasião para manifestar, ainda mais, a importância do papel destas duas instituições na promoção do bem comum”, disse o cardeal destacando que “a Santa Sé, enquanto sujeito singular de direito internacional, exerce uma diplomacia orientada pela promoção da paz, da justiça, da dignidade da pessoa”.

“No Brasil, sua atuação encontrou terreno fértil em uma nação marcada profundamente pela presença do catolicismo em sua formação cultural, social, assim como na sua realidade social contemporânea”, pontuou.

Assine aqui a nossa newsletter diária

FONTE: ACI Digital