11 de mar de 2026 às 10:00
O papa Leão XIV falou sobre a natureza da Igreja na catequese da Audiência Geral de hoje (11). Ele disse “ela nunca pode estar fechada em si mesma”, mas deve estar “aberta a todos”.
“Na Igreja há e deve haver lugar para todos, e cada cristão é chamado a anunciar o Evangelho e a dar testemunho em todos os ambientes onde vive e trabalha”, disse o papa Leão XIV. “Se lhe pertencem os crentes em Cristo, o Concílio recorda-nos que ‘ao novo Povo de Deus todos os homens são chamados’”, continuou.

Durante sua catequese, o papa continuou a série de reflexões sobre a Constituição Dogmática Lumen Gentium, concentrando-se no segundo capítulo do documento, dedicado ao Povo de Deus, um dos conceitos centrais da eclesiologia.
“A Igreja é una, mas inclui todos “, disse ele na Praça de São Pedro, diante de centenas de peregrinos.
O papa citou o cardeal Henri de Lubac, um dos teólogos mais influentes do século XX e figura chave do Concílio Vaticano II, para descrever a Igreja como a “única arca da salvação”, que “deve acolher na sua vasta nave todas as diversidades humanas”.
Ele disse que o povo de Deus “mostra a sua catolicidade, acolhendo as riquezas e os recursos das várias culturas e, ao mesmo tempo, oferecendo-lhes a novidade do Evangelho para as purificar e elevar”.
A Igreja é um povo no qual “mulheres e homens de diferentes nacionalidades, línguas ou culturas” “vivem juntos” sob a força da fé, disse o papa. “É um sinal inserido no próprio coração da humanidade, apelo e profecia daquela unidade e paz a que Deus Pai chama todos os seus filhos”.
O papa destacou que todo cristão é chamado a proclamar o Evangelho e a dar testemunho nos ambientes onde vive e trabalha.
“Até aqueles que ainda não receberam o Evangelho estão de certa forma orientados para o povo de Deus”, disse.
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Cristo reúne definitivamente o novo povo
O papa Leão XIV disse na catequese que a história do antigo povo de Israel constitui uma preparação para a nova aliança que Deus estabelece em Jesus Cristo. Citando o texto conciliar Lumen Gentium, o papa recordou que “todas estas coisas aconteceram como preparação e figura da nova e perfeita Aliança que em Cristo havia de ser estabelecida”.
Como explicou, é Cristo quem, através do dom do seu Corpo e Sangue, reúne definitivamente este povo, já composto por homens e mulheres de todas as nações. “Está unificado pela fé n’Ele, pela adesão a Ele, pelo viver da sua própria vida, animado pelo Espírito do Ressuscitado”, disse.
Dessa forma, continuou ele, nasce a Igreja, entendida como o Povo de Deus que encontra sua própria existência no Corpo de Cristo e que, ao mesmo tempo, é o próprio Corpo de Cristo.
“Não é um povo como os outros”, disse, mas uma comunidade reunida por Deus e composta por pessoas de todas as nações da Terra.
“O seu princípio unificador não é uma língua, uma cultura, uma etnia, mas a fé em Cristo”, acrescentou. Nas palavras do concílio, lembrou o papa, a Igreja é “uma congregação daqueles que, crendo, veem em Jesus o autor da salvação e o princípio da unidade e da paz”.
Um povo messiânico
Leão XIV também disse que a Igreja é “um povo messiânico”, porque tem Cristo, o Messias, como sua cabeça.
“Antes de qualquer tarefa ou função, o que realmente importa na Igreja é estar enxertado em Cristo, ser por graça filhos de Deus”, continuou. “Como cristãos, este é também o único título honorífico que deveríamos procurar. Estamos na Igreja para receber incessantemente a vida do Pai e para viver como seus filhos e irmãos entre nós”.
Segundo o papa, a lei fundamental que deve reger as relações dentro da Igreja é o “amor”, tal como é recebido e vivenciado em Cristo.
“É um grande sinal de esperança – sobretudo nos nossos dias, atravessados por tantos conflitos e guerras – saber que a Igreja é um povo no qual convivem, em virtude da fé, mulheres e homens de diferentes nacionalidades, línguas ou culturas: é um sinal inserido no próprio coração da humanidade, apelo e profecia daquela unidade e paz a que Deus Pai chama todos os seus filhos”, concluiu.

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