A Argentina aprovou, na madrugada desta quinta-feira (9), uma reforma para promover a mineração em regiões glaciais do país. A medida, segundo ambientalistas e cientistas, ameaçaria os recursos hídricos da região.
Já passava das 2h da manhã, no horário local, quando os deputados aprovaram a reforma por 137 votos a favor, 111 contra e 3 abstenções. A lei entra em vigor quando for publicada no Diário Oficial.
A legislação de proteção das geleiras existia desde 2010 e proibia atividades de mineração nessas áreas, além de estabelecer padrões mínimos para proteger as reservas de água doce. A reforma agora permite que as províncias estabeleçam seus próprios padrões de proteção.
As mudanças foram apoiadas pelo governo do presidente argentino Javier Milei, mas sofreu duras críticas de ambientalistas. O ministro da Economia, Luís Caputo, disse que a medida vai gerar US$ 165 bilhões em exportações até 2035 e milhares de empregos.
De acordo com o Greenpeace a reforma coloca em risco o acesso à água e a vida de milhões de argentinos e ecossistemas que dependem das geleiras. Além disso, a organização ambiental alega que as audiências públicas que debateram a reforma autorizaram menos de 0,2% dos inscritos a se manifestar.
Durante as audiências, o presidente da Comissão de Assuntos Constitucionais, o deputado Nicolás Mayoraz, argumentou que a nova lei “não altera a proteção das geleiras”. Já o deputado Néstor Pitrola disse que “aqueles que servem aos monopólios da mineração estão dispostos a entregar os recursos estratégicos das futuras gerações”.
De acordo com o Departamento de Comércio dos EUA, a Argentina possui a terceira maior reserva mundial de lítio, sendo que 70% ainda não foi prospectado. O país vizinho também é um dos principais produtores de cobre, ao lado do Chile e Peru. Cobre e lítio são metais essenciais para a indústria de veículos elétricos, baterias e painéis solares.
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