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Câmara de João Pessoa reúne trabalhadores e debate fim da escala 6×1

O tema ‘O fim da jornada de trabalho 6×1’ foi debatido em sessão especial realizada na Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP), na manhã desta sexta-feira (24). O debate foi proposto pelo vereador Marcos Henriques (PT) e reuniu entidades sindicais, organizações e trabalhadores em geral. A discussão antecede os atos e debates relativos ao mundo do trabalho que deverão ocorrer durante o mês de maio, sobre proposta de mudança de jornada que tramita no Congresso Nacional.

O vereador Marcos Henriques ressaltou que a ocasião era importante por fazer parte de uma estratégia de prioridade da classe trabalhadora. “Venho com a responsabilidade de quem veio do movimento sindical e conhece de perto a dura realidade da classe trabalhadora. Precisamos discutir, de forma urgente, o fim da escala de trabalho 6×1 e jornada de 40 horas, uma bandeira antiga dos movimentos trabalhistas, dentro de uma pauta necessária, sem redução de salários, como propõe o presidente Lula”, justificou.

De acordo com o vereador, a proposta vai garantir aos trabalhadores qualidade de vida, mais tempo com a família e possibilidade de se aperfeiçoar, com dois dias de descanso. Ele ressaltou que a redução garante respeito, dignidade humana e justiça social aos trabalhadores, além do aumento da produtividade e fortalecimento da economia.

“A posição do Governo Federal e do Ministério do Trabalho não poderia ser outra, a não ser favorável à redução da jornada para 40h”, afirmou o representante da Superintendência Regional do Trabalho na Paraíba (SRT-PB), Abílio Sérgio Correia. Ele elencou os benefícios da medida. “O benefício social, primeiro, e o mais importante, a saúde dos trabalhadores. Haverá redução do estresse, absenteísmo, redução nos acidentes de trabalho pelo cansaço e fadiga e redução em doenças ocupacionais. Tudo isso com base nas experiências de outros países”, afirmou o superintendente.

Abílio Sérgio Correia destacou que, além de proporcionar mais tempo de descanso, lazer e capacitação para o trabalhador, a redução da jornada de trabalho vai promover aumento de produtividade, geração de empregos e o alinhamento internacional com os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O representante do Partido dos Trabalhadores (PT), Hortêncio Duarte, parabenizou a propositura da discussão e ressaltou que o PT foi fundado para realizar debates e obter melhorias para a vida dos trabalhadores. “Os trabalhadores não conseguem mais trabalhar seis dias e só descansar um dia. Esse debate também é sobre a dignidade do trabalhador. É importante que a população veja quem vai estar do lado da família dos trabalhadores, garantindo qualidade de vida para todos”, arguiu.

O representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Tião Santos, afirmou que o assunto está na ordem do dia e que a CUT sempre lutou por essa melhoria na jornada de trabalho. “Essa reivindicação vai lograr êxito, porque, com a mobilização dos trabalhadores, vamos acelerar essa pauta para que o Congresso vote a favor dessa mudança. No dia 1º de Maio, vamos nos reunir no Busto de Tamandaré, na praia de Tambaú. Vai ser um dia de luta histórica, a partir das 16h. Se não formos para as ruas não haverá mudanças. Vamos mostrar a força do nosso movimento”, asseverou.

“É um momento histórico para o movimento sindical no Brasil e na Paraíba”, destacou Sérgio Roberto, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil na Paraíba (CTB-PB). Ele citou a experiência positiva do setor hoteleiro da Paraíba, que hoje atua em um regime de quinta folga ou 5×1. “Há 20 anos, os trabalhadores do setor hoteleiro travavam uma pauta pelo regime da quinta folga. A classe patronal foi contra, disse que ia quebrar. Na Paraíba, funcionou com sucesso e continua funcionando em pleno vapor”, enfatizou.

A presidente do Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação do Estado da Paraíba (Seac/PB), Ana Cristina Pereira, afirmou que a redução de jornada vai trazer dignidade, principalmente para a trabalhadora, que adiciona à jornada o trabalho doméstico e as atividades maternas nos afazeres do dia a dia.

“Falar do fim da escala 6×1 é falar de dignidade para todos os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil. Que mulher não faz, no dia a dia, a continuidade da jornada de trabalho quando chega em casa? Temos três turnos de trabalho. Temos que deixar a comida pronta, pegar ônibus, passar o dia todo trabalhando e, quando chegamos em casa, temos que arrumar a casa, fazer janta, tarefa com as crianças. E a hora de descanso? E a hora de estudar?”, afirmou Ana Cristina, destacando que a classe precisa se unir e se articular politicamente para a aprovação da medida.

O representante do Centro de Referência da Saúde dos Trabalhadores, Luís Saraiva, afirmou que o modelo de trabalho atual busca o maior lucro possível, em detrimento da saúde do trabalhador. “Observa-se, nos últimos anos, o aumento excessivo dos problemas mentais dos trabalhadores no país. De cada 10 atendimentos, oito são relacionados a problemas mentais. Essa luta é fundamental para a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores. Se tirarmos o lazer e a convivência com a família perdemos a capacidade de cuidar da saúde e renovar as energias. Não podemos mais permitir a perda de conquistas”, afirmou.

Eliezer Gomes, da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços (Contracs), destacou a importância do fortalecimento da luta da classe trabalhadora na causa. “Temos que fortalecer essa luta, porque já obtivemos uma vitória importante com a admissibilidade do projeto na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. Isso foi resultado de mobilizações como esta, que estão acontecendo no Brasil todo”, avaliou.

O presidente do Sindicato dos Comerciários da Grande João Pessoa, Rogério Braz, enfatizou que os trabalhadores do comércio levam em média 4 horas para ir e vir do trabalho, em uma jornada de 12h diárias, com uma hora para o almoço, totalizando 13 horas cotidianas. Além disso, quando chegam em casa, principalmente as mulheres, ainda têm os afazeres domésticos, restando poucas horas para o descanso antes de voltarem para a nova jornada de trabalho no outro dia. “O trabalhador não faz só o trabalho dele. Com quadros de empregados quase sempre incompletos, os trabalhadores trabalham por dois, daí adoecem, porque o corpo padece com todo tipo de doença. Dois dias de descanso vão permitir mais convívio com a família e amigos, participação nos movimentos sociais, além de mais qualificação. Ao contrário do que se diz, a mudança vai propiciar mais emprego e renda, mais consumo e, por consequência, aumento na produção”, defendeu.

O presidente da Federação dos Trabalhadores no Comércio de Bens e Serviços dos Estados da Paraíba e do Rio Grande do Norte (Fetracom PBRN), João de Deus dos Santos, chamou atenção para as narrativas da categoria patronal, que alegam que haverá prejuízos e aumento do desemprego, “jogando no colo da sociedade a responsabilidade por essa diminuição na jornada de trabalho”. “É importante ressaltar a questão do cansaço físico, já que o trabalhador precisa descansar, de sete a oito horas por dia, para garantir a disposição no outro dia. Chamamos o movimento sindical para ir para cima em busca dessa diminuição da jornada do trabalhador. Também apelamos à sociedade por apoio. Vamos vencer juntos, com muita atenção e disposição”, asseverou.

Dentre os encaminhamentos da sessão especial apontados pelo vereador Marcos Henriques, estão: a elaboração de um requerimento direcionado à bancada federal sobre o posicionamento dos trabalhadores; a elaboração de um relatório com tudo que foi debatido na sessão especial; e a divulgação de documento mostrando a importância da escala 5×2.

Ascom / CMJP

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FONTE: PB AGORA