Michelle Bolsonaro veio a público expor o custo da religião bolsonarista. Daqueles de fora de casa, Michelle disse que foi vítima de “narrativas maldosas e mentiras descaradas, sem respeito, sem pudor e sem vergonha”. Indiretamente, ela reconheceu que o bolsonarismo tem uma rede de detratores de reputações.
Daqueles de dentro de casa, Michelle disse que recebeu uma “punhalada” de Flávio Bolsonaro. Segundo ela, Flávio a maltratou, desrespeitou e humilhou. Não apenas. Ela acusou Flávio, Eduardo e Carlos – os sangues-puros da religião bolsonarista – de atingir a adolescente filha de Michelle e Jair.
O bolsonarismo é um tipo de religião política: tem um líder que não pode ser criticado; tem apologetas que defendem as ações do grupo; tem teólogos que interpretam os sinais dos tempos; tem profecias quanto aos rumos do Brasil; tem linguagem própria, símbolos e ritos.
Michelle está sentindo na pele o peso de uma religião política. Por mais que ela, agora, se levante com críticas, Michelle não pode negar que Jair é o principal responsável por essa desordem familiar e política. Foi Jair quem sempre quis lealdade absoluta e sempre protegeu seus filhos como verdadeiros sacerdotes de suas crenças.
Jair Bolsonaro é o responsável por uma possível reeleição de Lula. Ele tinha condições de ter indicado Tarcísio, mas escolheu um sacerdote para dar continuidade ao culto à personalidade dos Bolsonaros. Mesmo sabendo do passado e do caráter manchado de Flávio, ele escolheu manter o espólio.
Politicamente, eu lamento que a direita tenha sido capturada por uma religião política personalista. A reeleição de Lula preocupa diante dos grandes desafios, como alta criminalidade, dívida pública crescente, combate à corrupção, além das pautas identitárias, aborto e indicação de novos ministros do STF.
O cenário político brasileiro é de terra desolada sem novos horizontes. Nas urnas, petismo e bolsonarismo, duas religiões políticas personalistas e moralmente falidas. “Levanta-te, ó Deus, julga a terra” (Sl 82:8).
Anderson Paz
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