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O Solitário de Tambaú – PB AGORA

Houve um tempo em que não existiam redes sociais, internet ou os recursos tecnológicos que hoje dominam o cotidiano. Ainda assim, homens de honra, inteligência e caráter conquistavam o respeito popular e ocupavam naturalmente a mente e o coração de seu povo. Eram referências de uma geração.

Entre esses brasileiros estava José Américo de Almeida (10 de janeiro de 1887 – 10 de março de 1980), nascido no Engenho Olho d’Água, no município de Areia, Paraíba. Escritor, jurista, professor e homem público, tornou-se uma das figuras mais influentes da história paraibana e brasileira. Seu romance A Bagaceira, publicado em 1928, tornou-se um marco da literatura nacional e é considerado a obra que abriu caminho para o chamado Romance de 30, movimento literário que retratou, com realismo, a vida, os dramas e as desigualdades do povo brasileiro, especialmente do Nordeste. Foi entre as décadas de 1930 e 1950 que sua liderança intelectual e política atingiu o auge.

Na vida pública, exerceu funções de grande relevância. Foi Ministro da Viação e Obras Públicas no Governo Provisório de Getúlio Vargas, ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) e governador da Paraíba entre 1951 e 1956, deixando uma administração marcada por investimentos em infraestrutura e educação.

Uma de suas maiores realizações foi idealizar e fundar, em 1955, a Universidade da Paraíba, da qual foi o primeiro reitor. Cinco anos depois, a instituição seria federalizada, passando a se chamar Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Esse legado educacional permanece como uma de suas maiores contribuições ao desenvolvimento do Estado.

Sua residência, hoje transformada na Fundação Casa de José Américo, na bela Praia do Cabo Branco, em João Pessoa, é um verdadeiro convite para uma viagem pela história da Paraíba e do Brasil.

Há cerca de dois anos, tive o privilégio de visitar aquela casa-museu. Fui recebido por um funcionário extremamente atencioso que, com entusiasmo e profundo conhecimento, apresentou-me cada ambiente, documentos, fotografias e detalhes da trajetória de José Américo. Saí dali com a convicção de que havia conhecido muito mais do que um escritor ou um político; encontrei a história de um brasileiro que dedicou sua vida ao serviço público, à cultura e à educação. Foi uma visita enriquecedora que guardo com muito carinho.

Décadas após sua partida, José Américo continua presente. Sua simplicidade, firmeza de caráter, inteligência e visão de futuro fizeram dele uma personalidade que ultrapassou as fronteiras da Paraíba e conquistou projeção nacional. Homens como ele não pertencem apenas aos livros de História; pertencem à memória de um povo que não pode esquecer aqueles que ajudaram a construir sua identidade.

Ao deixar a Fundação Casa de José Américo, compreendi por que tantos ainda o reverenciam. Alguns homens morrem; outros permanecem vivos por meio das ideias, dos exemplos e do legado que deixam às futuras gerações. José Américo de Almeida pertence a essa segunda categoria.

Elcio Nunes
Cidadão Brasileiro

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FONTE: PB AGORA