Há famílias que entram na política. Outras, com o passar dos anos, aprendem a sobreviver a ela. E, na Paraíba, poucos grupos demonstraram tanta capacidade de adaptação quanto os Feliciano.
Quando muitos imaginavam que o grupo caminhava para o ostracismo, eis que a família reaparece ocupando espaços estratégicos e mostrando que ainda tem cartas importantes para colocar sobre a mesa.
Lígia Feliciano surge novamente como candidata a vice-governadoria. Renato Feliciano, seu filho, aparece como segundo suplente de senador na chapa de Nabor Wanderley. Gustavo Feliciano ocupa o Ministério da Cultura, em Brasília, enquanto Damião Feliciano segue como deputado federal e trabalha para renovar o mandato.
É uma família politicamente espalhada por diferentes territórios e, sobretudo, por diferentes momentos da política paraibana.
E talvez esteja aí a principal característica do grupo: nunca sair completamente do jogo.
A política é feita de vitórias, derrotas, alianças, rupturas, acomodações e, principalmente, sobrevivência. Quem conhece o tabuleiro sabe que nem sempre aquele que parece estar em baixa está derrotado. Às vezes, está apenas esperando a próxima jogada.
Os Feliciano parecem conhecer bem essa lógica.
A política como arte de permanecer
Damião Feliciano é um exemplo clássico dessa capacidade de permanência. São décadas transitando pela política paraibana e nacional, atravessando governos de diferentes matizes e mantendo uma estrutura política capaz de resistir às mudanças de cenário.
E aqui vale lembrar uma ironia da própria história recente.
Em 2020, Luciano Cartaxo, então prefeito de João Pessoa, escolheu Mariana Feliciano, filha de Lígia e Damião, para compor como vice na chapa de Edilma Freire na disputa pela Prefeitura da Capital. Naquele momento, Cartaxo fazia uma aposta política em um grupo que, apesar das críticas e das controvérsias, continuava tendo algo que muitos adversários gostariam de possuir: capacidade de articulação e votos.
Porque é justamente aí que mora a diferença entre estar desgastado e estar acabado.
Damião pode carregar críticas, pode ser alvo de adversários e pode ter sua trajetória questionada. Mas a própria história eleitoral mostra que, mesmo quando muitos apostam em seu declínio, ele encontra uma maneira de permanecer relevante.
E política, convenhamos, não costuma premiar apenas os mais populares. Premia também os que sabem negociar, esperar e voltar ao jogo na hora certa.
O lema que poderia resumir essa trajetória talvez seja justamente aquele velho gesto político: “de coração para coração, a mão amiga”.
Porque a política paraibana é feita, em grande medida, de relações construídas ao longo do tempo. Uma mão estendida hoje pode representar uma aliança amanhã. Um apoio aparentemente secundário pode ganhar importância alguns anos depois. E um grupo que parecia ter perdido espaço pode reaparecer justamente quando as peças do tabuleiro começam a se mover.
É isso que os Feliciano parecem estar fazendo.
Não necessariamente com o barulho de quem chega pela primeira vez, mas com a experiência de quem já conhece os caminhos de Brasília, os corredores da Assembleia, as alianças municipais e as engrenagens do poder estadual.
Lígia na discussão da vice-governadoria. Renato no Senado. Gustavo em Brasília. Damião novamente buscando a Câmara Federal.
Não parece exatamente uma família se despedindo da política.
Parece uma família dizendo, mais uma vez: “ainda estamos aqui”.
E talvez essa seja a maior lição deixada pelo grupo. Na política, o ostracismo só existe quando o adversário consegue decretá-lo — e, para isso, é preciso que o político aceite sair de cena.
Os Feliciano ainda não aceitaram.
Podem mudar os cargos, mudar os aliados, mudar os governos e mudar o tamanho das bancadas. Mas a arte da sobrevivência política continua sendo uma das especialidades da família.
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